Cerca de 132 detentos escaparam de penitenciária próxima à fronteira dos Estados Unidos

EFE

A fuga de 132 detentos de uma penitenciária no norte do México pôs em evidência as falhas da estratégia contra o crime organizado lançada pelo governo de Felipe Calderón, que deixará questões de política de segurança pendentes para seu sucessor, Enrique Peña Nieto.

Em declarações à Agência Efe, o especialista em direito penal, Julio Hernández Barros, disse que no México há "uma crise nos presídios há muito tempo", o que provocou várias fugas.

O próprio Calderón classificou nesta terça-feira como "deplorável a fuga da penitenciária estadual de Piedras Negras", localizada no estado de Coahuila, e afirmou que "é preciso corrigir a vulnerabilidade das instituições de justiça estaduais".

Policiais em frente à prisão mexicana de onde escaparam 132 detentos
Reuters
Policiais em frente à prisão mexicana de onde escaparam 132 detentos

O comentário do presidente foi publicado no Twitter um dia depois que os 131 detentos fugiram da prisão em Piedras Negras através de um túnel de 30 metros de comprimento e três metros de profundidade.

O diretor da penitenciária, o chefe do turno e o responsável dos guardas ficarão sob prisão preventiva até o fim das investigações, para averiguar suas supostas responsabilidades no caso.

Calderón entrega o poder no dia 1º de dezembro para Enrique Peña Nieto, representando o retorno do Partido Revolucionario Institucional (PRI) à presidência, após dois mandatos nas mãos do conservador Partido Acción Nacional (PAN).

Leia também:  México captura chefe do Cartel do Golfo

Fugitivos

Trata-se da segunda maior fuga durante o governo de Calderón, superada apenas pelos 141 detentos que fugiram no dia 17 de dezembro de 2010, em Nuevo Laredo, em Tamaulipas. O episódio preocupa principalmente por haver 86 presos federais entre os foragidos, pessoas relacionadas com o tráfico de drogas e o crime organizado.

As autoridades estaduais iniciaram uma operação de busca na tarde de ontem e alertou os Estados Unidos, em especial a localidade de Eagle Pass, próxima da região de Piedras Negras.A Procuradoria Geral de Justiça de Coahuila (PGJC) anunciou hoje que três mulheres fugitivas foram recapturadas na madrugada, após uma varredura exaustiva em uma oficina de carpintaria.

Hernández considera que há no país "uma péssima política criminal, com penitenciárias infestadas de pessoas que talvez nem deveriam estar ali, enquanto a impunidade faz com que os que deveriam estar presos estejam foragidos", disse.

O especialista em direito penal sustentou que devem ser intensificadas as medidas de segurança nas prisões mexicanas, além de isolar os detentos federais, que "contaminam o sistema penal e o transforma em uma universidade do crime".

Saiba mais: Peña Nieto, do PRI, vence eleições presidenciais do México

Corrupção

Em relação aos indícios da suposta "cumplicidade" entre os funcionários da prisão e os fugitivos, Hernández disse ser comum a existência de presídios com "um autogoverno dos próprios detentos", diante dos quais as autoridades "ficam mudas e cobram um salário que não tem direito".

"A corrupção no México está infiltrada em todos os lugares, especialmente na administração da Justiça", ressaltou. Sobre a estratégia de Calderón, o especialista disse que ao pôr a responsabilidade nos estados, o governo federal está "lavando as mãos".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.