Ex-chefe de polícia chinês envolvido em caso Bo Xilai não contesta acusações

Wang Lijun deve receber sentença mais branda por ter colaborado com investigações sobre assassinato de empresário britânicos e outros crimes

iG São Paulo |

O ex-chefe de polícia envolvido no maior escândalo político das últimas décadas na China não contestou às acusações de suborno e espionagem imputadas durante seu julgamento, que terminou nesta terça-feira.

Wang Lijun, ex-chefe de polícia no município de Chongqing, no sudoeste chinês, é um dos pivôs do escândalo que culminou na queda de Bo Xilai, ex-importante liderança do Partido Comunista Chinês.

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AP
Wang Lijun, ex-chefe de polícia de Chongqing, que deu início ao escândalo Bo Xilai (arquivo)

Wang tentou se refugiar no Consulado dos EUA em Chengdu em fevereiro, e lá teria denunciado uma série de irregularidades na gestão de Bo - então secretário-geral do Partido Comunista da China em Chongqing -, além de revelar que a morte do empresário britânico Neil Heywood, ocorrida três meses antes nesta mesma cidade, não tinha sido um acidente, como parecia até então.

Bo foi destituído em março, pouco antes da confirmação de sua esposa, Gu Kailai, como principal suspeita pela morte de Heywood, um antigo amigo da família. No mês passado, Gu foi declarada culpada pelo assassinato de Heywood e foi condenada à pena de morte . A sentença, porém, prevê uma espécie de moratória que evita a execução e, na prática, trata-se de prisão perpétua.

Promotores disseram que a cooperação de Wang foi crucial para desvendar o homicídio e para revelar outros crimes não especificados. Por isso, ele deve receber uma sentença leniente, daqui a cerca de dez dias.

"O acusado Wang Lijun voluntariamente se entregou após cometer o crime de deserção, e então fez um relato fiel dos principais crimes envolvidos neste fato", disse o porta-voz judicial Yang Yuquan, referindo-se a dramática fuga do réu para o consulado dos EUA em Chengdu, em fevereiro.

Wang, segundo o porta-voz, "expôs pistas relativas a graves ofensas criminais por terceiros, e desempenhou papel importante na investigação e no trato dos casos relacionados. De acordo com a lei, sua punição poderá ser reduzida".

Jornalistas foram impedidos de acompanhar o julgamento num tribunal de Chengdu, e receberam informações de um funcionário judicial em um hotel próximo.

Com Reuters

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