Obama diz que não irá tolerar ataques a americanos em protestos muçulmanos

Presidente dos EUA afirma que manifestações violentas no mundo árabe não são justificáveis; onda de revoltas diminui em diversos países

iG São Paulo | - Atualizada às

Em meio à onda de ataques contra embaixadas espalhadas pela África e pelo Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que não irá tolerar a morte de mais nenhum cidadão americano. Ele disse que lamenta a divulgação de vídeos que ridicularizam o Islã, mas que isso não deveria ser motivo para tanta violência.

"Já expressei que os Estados Unidos têm um profundo respeito por todas as religiões", declarou Obama em seu programa semanal de rádio, neste sábado. "Mesmo assim, nunca haverá qualquer justificativa para ações violentas contra nossas embaixadas e consulados".

Apesar de diversos incidentes terem sido registrados pelas agências de notícias, a onda de revoltas parece ter diminuido entre os países mais exaltados. No Egito, o exército dispersou grande parte da população que ocupava a Praça Tahrir.

Reuters
Corpo do embaixador Christopher Stevens chega a Washington e é escoltado por Obama e Hillary Clinton (arquivo)

O braço da Al-Qaeda da Península Arábica, no entanto, convocou extremistas islâmicos de todo o mundo a continuarem com os ataques a embaixadas americanas. A rede terrorista pede vingança aos insultos contidos no vídeo divulgado esta semana em que o profeta Maomé é ridicularizado.

Mais cedo, o Sudão rejeitou o pedido dos Estados Unidos para enviar uma equipe de fuzileiros navais para a ajudar a garantir a segurança de sua embaixada na capital Cartum.

O presidente americano também fez mandou um recado aos chefes de Estado dos países mais atingidos: protejam as embaixadas ou haverá consequências.

A declaração foi feita um dia após o presidente participar da cerimônia que marcou o retorno dos corpos de quatro americanos mortos em um ataque na Líbia. Entre as vítimas, está o embaixador Christopher Stevens.

Saiba mais: Origem dos protestos muçulmanos contra insultos ao Islã

Para conter a série de manifestações que já se espalharam por mais de 15 países de maioria muçulmana, deixando ao menos cinco mortos e dezenas de feridos, o Pentágono irá enviar mais fuzileiros navais para reforçar a segurança de embaixas americanas, principalmente no Sudão, Líbia e Iêmen.

Ainda neste sábado, manifestantes muçulmanos e policiais australianos se enfrentaram nas ruas de Sidney. O protesto começou perto do consulado dos EUA, onde se concentraram cerca de 500 pessoas, e se propagou por várias ruas do centro da cidade.

Protestos

Ao menos sete pessoas morreram na sexta-feira em violentos protestos contra embaixadas ocidentais, por causa de um filme anti-islâmico produzido nos EUA. Duas das mortes ocorreram na Tunísia, onde uma multidão invadiu o terreno da embaixada americana em Tunis.

A representação diplomática dos EUA em Cartum, no Sudão, também foi invadida, e três pessoas morreram. Uma pessoa morreu no Egito e outra no Líbano, depois da depredação de um restaurante da rede americana KFC.

Também há relatos de confrontos e protestos no Iêmen, na Nigéria, no Afeganistão, em Bangladesh, nos territórios palestinos e no Egito. As representações da Grã-Bretanha e da Alemanha também foram atacadas.

Brasileiros

Para o Itamaraty, as representações brasileiras em países árabes do Oriente Médio e da África darão "a maior atenção à segurança" aos seus diplomatas. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério de Relações Exteriores, em entrevista à BBC Brasil, "não houve nenhuma ameaça concreta contra o país".

O Itamaraty afirmou também que está monitorando as comunidades brasileiras espalhadas pelos países atingidos pela onda de protestos.

Filme

A polícia dos Estados Unidos parece ter fechado o cerco aos responsáveis pela produção e divulgação do filme anti-islâmico que motivou a onda de ataques a embaixadas americanas. Nesta quinta-feira, agentes da Califórnia interrogaram Nakoula Basseley Nakoula, de 55 anos, que admitiu envolvimento no caso.

De acordo com a Associated Press, Nakoula - supostamente um cristão radical de origem egípcia - confirmou ser o gerente da empresa que produziu o vídeo no qual o profeta Maomé é retratado como um adúltero, pedófilo e sanguinário. A polícia, no entanto, trabalha com a hipótese de que ele possa ter sido, na verdade, o diretor do filme.

Com Reuters e CNN

    Leia tudo sobre: obamamundo árabelíbiaegitoislamismochristopher stevens

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG