Saiba mais sobre protestos de muçulmanos contra insultos ao Islã

Charges de Maomé e queima de exemplares do Alcorão foram motivos de ondas de manifestações e violência

iG São Paulo | - Atualizada às

Um filme  produzido nos Estados Unidos que ridiculariza o profeta Maomé está no centro da onda de protestos contra representações diplomáticas americanas no Oriente Médio. 

Leia também:  Protestos contra filme anti-islâmico produzido nos EUA se espalham

Trata-se do mais recente episódio de violência motivado por ações ocidentais consideradas pelos muçulmanos como insultos ao Islã, incidentes que se tornaram mais comuns após o início das guerras do Iraque e do Afeganistão.

Veja alguns dos incidentes mais sérios:

AFP
O cartunista Kurt Westergaard, em foto de 2010

Charges de Maomé

Em setembro de 2005, a publicação de charges do profeta Maomé no jornal dinamarquês Jyllands-Posten desencadeou uma onda de violentos protestos de muçulmanos, para quem qualquer imagem do fundador de sua religião é proibida.

Os protestos duraram semanas e deixaram dezenas de mortos. Ataques violentos foram realizados contra representações diplomáticas da Dinamarca na Síria, Irã, Afeganistão e Líbano.

Em junho de 2008, um ataque suicida deixou seis mortos na Embaixada da Dinamarca em Islamabad, capital do Paquistão. A Al-Qaeda assumiu o atentado e citou a publicação das charges como motivação.

O governo dinamarquês considerou o incidente a mais grave crise internacional do país desde a Segunda Guerra (1939-1945). As charges foram feitas pelo cartunista  Kurt Westergaard , que sofreu diversas ameaças.

Getty Images
O escritor Salman Rushdie, em Paraty (arquivo)

Versos satânicos

Publicado em 1988, o livro “Os Versos Satânicos”, escrito pelo britânico Salman Rushdie e parcialmente inspirado na vida de Maomé, foi amplamente elogiado por críticos no Reino Unido mas revoltou muçulmanos que consideraram a obra caluniosa.

Confrontos mortais foram registrados em Islamabad, no Paquistão, e em Mumbai, na Índia. O livro foi banido na África do Sul, Índia, Paquistão, Bangladesh, entre outros países.

Em 1989, o aiatolá iraniano Ruhollah Khomeini pediu a morte de Rushdie, que viveu escondido durante uma década. Ele nunca foi fisicamente agredido, mas seu tradutor japonês foi morto a facadas em 1991. Seu tradutor italiano também foi esfaqueado no mesmo ano, mas não morreu.

Assassinato de Theo Van Gogh

O cineasta holandês Theo van Gogh, crítico declarado do Islã e diretor de “Submissão”, um filme que atacava o tratamento dado às mulheres muçulmanas, foi morto a tiros em novembro de 2004, quando andava de bicicleta em Amsterdã.

Mohammed Bouveri, um holandês de origem marroquina, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Van Gogh. O crime provocou mais de 170 pequenos ataques contra mesquitas e igrejas nas semanas seguintes, de acordo com um relatório da Fundação Anne Frank e da Universidade de Leiden.

AP
O pastor Terry Jones, em Gainesville, Flórida (2010)

Dia de queimar o Alcorão

Em 2010, o pastor Terry Jones , da Flórida, fez um apelo para que exemplares do Alcorão fossem queimados para marcar o aniversário do 11 de Setembro. A proposta alarmou militares americanos que temeram pela segurança das tropas que combatiam insurgentes islâmicos no Iraque e no Afeganistão.

Embora Jones tenha desistido da iniciativa, milhares de afegãos encorajados pelo Taleban queimaram pneus nas ruas de Cabul, capital do Afeganistão, em outras cidades, gritando “Morte à América”.

Em março de 2011, a congregação de Jones queimou cópias do Alcorão e um vídeo da cerimônia foi publicado na internet, desencadeando protestos no Afeganistão. No mais violento, centenas de manifestantes invadiram um complexo da Organização das Nações Unidas (ONU) em Mazar-i-Sharif, norte do Afeganistão, matando sete estrangeiros , incluindo quarta guardas nepaleses.

Queima de Alcorão em base militar

Em fevereiro de 2012, soldados americanos queimaram 315 cópias do Alcorão e de outros textos religiosos na base de Bagram, no Afeganistão. O material tinha sido retirado da biblioteca da prisão que fica no local para ser descartado.

A notícia da queima dos documentos, que os EUA disseram ter sido não intencional, provocou dezenas de protestos no Afeganistão. No total, foram mortos 30 afegãos e seis soldados americanos.

Seis militares dos EUA receberam punições administrativas não divulgadas por causa do episódio, segundo anunciou o Pentágono em agosto.

AP
Manifestante afegão faz gesto obsceno para soldado dos EUA em frente da Base de Bagram, no Afeganistão, durante protesto por queima de cópias do Alcorão

Com AP

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