Donos de fábrica atingida por incêndio no Paquistão são acusados de homicídio

Parentes enterram vítimas de tragédia em Karachi; número de mortos é revisado de 289 para 264, segundo governo

iG São Paulo |

Os donos de uma fábrica têxtil que pegou fogo em Karachi, no Paquistão, foram acusados formalmente de homicídio nesta quinta-feira, enquanto parentes das vítimas da tragédia realizaram funerais em várias regiões da cidade. 

O número de mortos no incêndio foi revisado de 289 para 264. O chefe de polícia de Karachi disse que as buscas estão encerradas, mas quase cem corpos ainda precisam ser identificados.

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Reuters
Mulheres choram durante enterro de parentes mortos em incêndio na cidade paquistanesa de Karachi

Os proprietários da fábrica, que estão foragidos, foram identificados pela polícia como Abdul Aziz e seus filhos Shahid e Arshad. Eles também foram acusados de negligência pela falta de medidas anti-incêndio no imóvel.

Um magistrado do Tribunal Superior de Sindh - província cuja capital é Karachi - iniciou uma instrução do caso, e o governo regional nomeou uma comissão investigadora liderada por um juiz.

De acordo com a imprensa local, o pior acidente industrial da história do país ocorreu por negligência empresarial e corrupção nos órgãos oficiais. O jornal Express Tribune afirmou que o ex-ministro regional de Trabalho, Amir Nawab, reconheceu ter suspenso há mais de três anos as inspeções de segurança em fábricas da província por ordem do ministro chefe de Sindh, Qaim Ali Sha.

O Dawn, um dos mais prestigiosos jornais do país em língua inglesa, afirmou em seu editorial que as fábricas no Paquistão são "campos de concentração nos quais se nega aos trabalhadores seus direitos básicos".

Um trabalhador que sobreviveu à tragédia afirmou ontem perante as câmeras de televisão que viu os donos dando instruções para que as máquinas fossem salvas antes das pessoas.

As máquinas de costura serviram para alguns operários quebrar as janelas que eram a única via de saída do imóvel em chamas, onde se viveram momentos dramáticos, com pessoas se jogando de grandes alturas para tentar se sakvar.

No momento do incêndio havia no imóvel cerca de mil trabalhadores, que operavam sem medidas anti-incêndio, com acessos bloqueados e janelas gradeadas. Entre os mortos há várias mulheres e crianças que trabalhavam na fábrica.

Segundo as equipes de resgate, a causa mais provável do acidente é um curto-circuito em um grande gerador elétrico situado perto do acesso principal do edifício.

Com EFE e AP

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