Recusa de Obama em receber Netanyahu agrava crise entre EUA e Israel sobre Irã

Casa Branca alega problema de agenda, mas decisão é interpretada entre autoridades israelenses como novo sinal de desconfiança nas relações

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A recusa do presidente americano, Barack Obama, em receber o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aprofundou mais ainda a crise de confiança entre os dois países, em meio às divergências sobre um eventual ataque ao Irã.

Segundo a Casa Branca, Obama não poderá receber Netanyahu durante sua visita aos Estados Unidos, no fim deste mês, porque sua agenda está totalmente tomada pela campanha eleitoral. A rejeição foi interpretada em Israel, no entanto, como mais um sinal de uma "crise grave" nas relações entre os dois países.

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Foto de setembro de 2011 mostra encontro entre Obama e premiê de Israel, Benjamin Netanyahu


A falta de confiança ficou mais aparente nas últimas semanas, com uma troca de farpas pública entre as lideranças israelenses e americanas. Nesta terça feira, Netanyahu criticou em termos duros o presidente Obama ao afirmar que "aqueles que se negam a impor limites ao Irã não têm direito moral de impor limites a Israel".

A declaração foi referência à declaração da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que disse que não pretende atender a exigência israelense de impor "prazos e linhas vermelhas" ao Irã. De acordo com o governo americano, "ainda há tempo para a diplomacia e para sanções" e não é necessário decretar um ultimato ao Irã para que interrompa seu programa nuclear.

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Já para o premiê Netanyahu, "os iranianos estão correndo em direção à bomba nuclear e as sanções não estão surtindo efeito". "Até quando se pode esperar antes de dar um ultimato ao Irã?", perguntou Netanyahu, ao questionar a posição americana.

Eleições nos EUA

Para o ex-diretor geral do ministério das Relações Exteriores de Israel, Alon Liel, "a crise atual nas relações entre Israel e os Estados Unidos é real, porém a proximidade das eleições americanas a torna mais aguda".

"Não se pode esconder o fato de que Netanyahu tem preferência clara por (Mitt) Romney", disse Liel à BBC Brasil, "e que a questão iraniana tornou-se um instrumento para prejudicar Obama".

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De acordo com Liel, o governo israelense "tem interesse" em agravar as divergências com os Estados Unidos sobre a questão iraniana, e o governo americano prefere "amenizar a crise" por interesses eleitorais. "Os eleitorado judaico americano não gosta de crises entre os Estados Unidos e Israel e, antes das eleições, tal crise pode beneficiar o candidato republicano", afirmou.

'Tática arriscada'

Há duas semanas Netanyahu se encontrou com o embaixador americano em Israel, Dan Shapiro, e com o republicano Mike Rogers, presidente da Comissão de Inteligência do Congresso americano.

Segundo Rogers, durante a reunião Netanyahu "atacou o embaixador em termos duros e criou-se uma discussão violenta" sobre a questão iraniana.

Para Alon Liel, o objetivo do vazamento das informações da reunião foi "humilhar" não só o embaixador americano como também o próprio presidente Obama.

"A tática de interferir nas eleições americanas pode ser perigosa para o premiê Netanyahu, pois se Obama sair vitorioso, será muito difícil superar o ressentimento entre os dois líderes", acrescentou Liel.

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