ONG volta atrás sobre rumores de massacre ianomâmi na Amazônia

Após pressionar a Venezuela a investigar o suposto assassinato de 80 índios por garimpeiros brasileiros, entidade diz que denúncia pode ter sido falsa

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A ONG Survival International, que havia pressionado a Venezuela a investigar os rumores de um massacre da tribo indígena ianomami na Amazônia, voltou atrás e disse, nesta terça-feira, que o ataque provavelmente não ocorreu.

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Tribo de ianomâmi em região amazônica próxima às fronteiras de Brasil e Venezuela (arquivo)

A Survival teria recuado depois de falar com suas fontes, informou o grupo.

Os rumores do ataque começaram em agosto, quando a entidade criticou fortemente o então "massacre" de 80 índios ianomâmis por garimpeiros ilegais, que teriam invadido a região para extrair ouro de minas.

As autoridades venezuelanas informaram que uma equipe de investigadores foi enviada à floresta e não encontrou corpos nem qualquer outra evidência de um ataque.

A chacina teria acontecido na comunidade remota de Irotatheri, localizada próxima à fronteira com o Brasil.

Leita também: Venezuela investiga suposto massacre de ianomâmis por garimpeiros

A Survival divulgou relatos de organizações ianomâmi que detalhavam como os garimpeiros ilegais incendiaram uma oca da aldeia e como as testemunhas disseram ter encontrado os corpos queimados.

Na ocasião, apenas três pessoas teriam sobrevido. No entanto, a Survival International voltou atrás e disse que essa descrição não parecia estar correta.

"Após ter recebido o testemunho de fontes confiáveis, a Survival agora acredita que não houve ataque realizado pelos mineiros na comunidade Ianomâmi de Irotatheri", informou uma declaração de Stephen Corry, diretor da Survival International.

Tensões

"Índios ianomâmi que vivem na tribo, onde muitos garimpeiros estariam atuando ilegalmente, ouviram histórias de um massacre ocorrido em julho e alguns relataram o ataque à Survival como tendo acontecido na comunidade de Irotatheri", afirmou Corry.

"Nós não sabemos se essas histórias foram disseminadas por um incidente violento, que é a explicação mais provável, mas a tensão permanece na área", acrescentou.

O governo venezuelano afirmou que as equipes enviadas para investigar os relatos não acharam evidências do ataque.

Ativistas que defendem os índios alegaram, entretanto, que as autoridades da Venezuela poderiam não ter encontrado a comunidade em questão, localizada em uma àrea remota da floresta.

Jornalistas foram levados à região na última sexta-feira e sábado, onde índios ianomâmi afirmaram não ter havido qualquer ato de violência.

"Ninguém foi morto aqui", um índio ianomâmi afirmou a um tradutor. "Aqui estamos todos passando bem".

Ouro

O número de ianomâmi é estimado em 30 mil e suas comunidades se localizam na fronteira entre o Brasil e a Venezuela. Eles lutam há décadas contra a presença de garimpeiros de ouro na região, acusando-os de destruir a floresta e introduzir doenças.

Nos últimos anos, a valorização da cotação do ouro nos mercados globais tem levado a um crescimento de minas ilegais em muitas partes da Amazônia. A Survival reivindicou às autoridades da Venezuela que ampliem o controle sobre as terras dos ianomâmi de modo a impedir a invasão de garimpeiros.

Os militares do país que foram destacados para um vilarejo Irotatheri afirmaram que não acharam sinais de atividade de mineração na área.

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