Cartunista indiano acusado de incitar motim é libertado sob fiança

Governo revisará acusações contra Assem Trivedi, motivadas por charges consideradas "anti-Índia"

iG São Paulo |

AP
Cartunista indiano Assem Trivedi faz discurso em Mumbai após ser libertado

O cartunista indiano Assem Trivedi, preso sob acusação de incitar motim, foi solto sob fiança nesta quarta-feira. O governo da Índia afirmou que vai revisar as acusações contra Trivedi, que foi recebido com festa por partidários do lado de fora de uma prisão em Mumbai.

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O cartunista foi preso por caricaturas que, supostamente, fariam chacotas da Constituição do país e por insultar a bandeira nacional. Ele integra um movimento anticorrupção no país, liderado pelo ativista Anna Hazare, que usa métodos de não-violência, como greves de fome.

A polícia resolveu prendê-lo após as queixas de um advogado de Mumbai, que disse que as caricaturas seriam "anti-Índia". A imprensa do país e várias personalidades condenaram a prisão.

"Pelas informações que tenho, o cartunista não fez nada de ilegal, na verdade, prendê-lo foi um ato ilegal", disse o presidente do Conselho de Imprensa da Índia, Markandey Katju, ao jornal The Hindu. "Uma prisão ilegal é um crime muito sério no código penal indiano e quem deveria ser detido são os que efetuaram a prisão, quem deveriam ser detidos"

Para Katju, que é ex-ministro da Suprema Corte, desenhar uma caricatura não pode ser considerado um crime e os políticos deveriam a aprender a aceitar críticas. "Este tipo de comportamento não é aceitável em uma democracia", disse ele.

O comentarista político da CNN-IBN, Rajdeep Sardesai, também criticou a prisão, dizendo ser "engraçado" que as autoridades aceitam "discursos que incitam o ódio", mas prendem alguém por "paródias e sátiras políticas". No Twitter, várias pessoas também se manifestaram contra a prisão do cartunista.

Essa não foi a primeira vez que as autoridades indianas promovem ações contra a publicação de cartuns. Em abril, a polícia prendeu um professor em Calcutá por ter postado na internet cartuns que satirizavam a governadora de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee. Ele foi liberado, em seguida.

Com AP e BBC Brasil

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