Médico paquistanês que ajudou na caçada a Bin Laden fala de dentro da prisão

Em primeira entrevista, Shakil Afridi afirmou não saber que Bin Laden estava em local onde obteve amostras de DNA usadas pela CIA para encontrá-lo

BBC Brasil |

BBC

AP
O médico paquistanês Shakil Afridi, que ajudou a CIA a achar Bin Laden (09/07/2010)

O médico paquistanês envolvido na caçada a Osama bin Laden disse que não sabia o papel que estava desempenhando no assassinato do chefe da Al-Qaeda, em maio de 2011, em uma recente entrevista concedida de dentro da prisão.

Shakil Afridi teria se passado por um representante de uma campanha de vacinação contra hepatite B para tentar obter amostras de DNA de familiares do saudita que chefiava a rede extremista internacional.

Leia também:  Paquistão condenou médico por ajudar militância, e não a CIA

"Eu sabia que alguns terroristas estavam residindo naquele local, mas eu não sabia quem. Eu fiquei chocado, não acreditava que estava envolvido com o assassinato", contou em uma entrevista ao canal Fox News, feita por telefone, de dentro da prisão na cidade de Peshawar, no Paquistão.

Foi a primeira vez que o médico falou com a imprensa desde que foi detido. Ele contou ter sido torturado com choques elétricos e queimaduras de cigarro quando interrogado pela agência de inteligência do Paquistão (ISI, na sigla em inglês).

Afridi disse que ficou vendado por oito meses e algemado por um ano em uma cela embaixo do quartel-general do ISI. "Eles diziam: Os americanos são os nossos piores inimigos, piores do que os indianos", conta.

O médico lembra que foi aconselhado pela agência de inteligência americana, CIA, a fugir para o Afeganistão. No entanto, ele disse que tinha medo de cruzar a fronteira dos países e pensou que não seria necessário fugir, já que não sabia que estaria envolvido na morte de Bin Laden.

Afridi foi preso 20 dias depois da morte do chefe da Al-Qaeda, no dia 22 de maio do ano passado, em um posto de controle em Hayatabad. Ele foi condenado a 33 anos de prisão em maio deste ano por financiar e auxiliar um grupo militante. No entanto, diversos correspondentes dizem que é senso comum que a pena é uma punição por ter ajudado a CIA.

    Leia tudo sobre: bin ladenpaquistãoeuamorte de bin laden

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG