Hollande fará corte em educação, segurança e justiça

Presidente francês anunciou plano de recuperação da economia neste domingo. Imposto sobre lucros superiores a 1 milhão de euros será mantido

iG São Paulo |

O presidente francês, François Hollande, anunciou neste domingo que seu governo aplicará cortes no valor de 10 bilhões de euros em despesas em educação, segurança e justiça, como parte de um pacote global de contingência no valor de 30 bilhões de euros. Hollande acrescentou que outros 10 bilhões de euros devem ser obtidos com o pagamento de impostos pelos franceses, enquanto os 10 bilhões restantes virão de tributações suplementares das empresas do país.

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Sobre o imposto de 75% sobre os lucros superiores a 1 milhão de euros que quer colocar em prática – uma medida "irresponsável" para seus oponentes que argumentam que ela pode fazer o capital fugir para o exterior –, assegurou que implementaria "sem exceções".

O debate foi reavivado no sábado com a revelação de um pedido de naturalização depositado em Bruxelas pelo mais rico dos franceses, o dono do império de luxo LVMH, Bernard Arnault.

"Ele precisa pensar muito bem no que significa pedir outra nacionalidade, porque temos orgulho de sermos franceses", comentou François Hollande com gravidade.

O chefe de Estado afirmou ainda que não haverá exceções à aplicação dessa medida e que ela afetará em torno de 2 mil, 3 mil pessoas.

Queda na popularidade

O presidente, em queda nas pesquisas de opinião na França, rejeitou a crítica sobre sua inação, anunciando uma recuperação da economia em dois anos e prometendo reverter a curva do desemprego em um ano.

"Vou fazer, em quatro meses, o que os meus antecessores fizeram em cinco ou dez anos", comentou Hollande durante discurso no canal de televisão TF1, enquanto seus opositores não param de lembrar o ativismo de seu antecessor, Nicolas Sarkozy.

"O CAP é a recuperação da França", disse. "Vou fixar uma agenda de recuperação: dois anos. Dois anos para implementar uma política de emprego, para a competitividade e a recuperação das contas públicas", acrescentou.

François Hollande também mostrou sua determinação em combater o desemprego. "Temos de inverter a curva do desemprego dentro de um ano", disse. Na França, a taxa de três milhões de desempregados foi ultrapassada recentemente.

O desafio é convencer que ele é o homem da "mudança imediata" - seu slogan de campanha - e não o da estagnação, como acusam a direita, a imprensa e até a esquerda.

Durante seus primeiros meses como presidente, François Hollande aumentou o salário mínimo e alguns benefícios sociais e voltou atrás nas medidas mais impopulares de Nicolas Sarkozy, o aumento dos impostos e da idade para aposentadoria.

Contudo, sua queda nas pesquisas se confirma. Segundo a última pesquisa realizada pela BVA, publicada neste domingo pelo jornal Le Parisien , quase seis em cada dez franceses não estão satisfeitos com o início do mandato de cinco anos, acreditando que o chefe de Estado não fez o suficiente.

AFP
Presidente francês, François Hollande, faz discurso no canal de televisão TF1


*Com EFE e AFP

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