Obama aceita candidatura e diz que EUA enfrentam 'escolha de uma geração'

Em discurso na Convenção Democrata, presidente tenta retomar excitação da campanha de 2008, pede paciência aos americanos e diz que problemas podem ser resolvidos

Leda Balbino - Charlotte, EUA * | - Atualizada às

Diante de uma plateia que gritava “mais quatro anos”, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aceitou oficialmente nesta quinta-feira a nomeação do Partido Democrata para concorrer à reeleição. Em um aguardado pronunciamento, no qual buscou retomar o sentimento de excitação que impulsionou sua primeira candidatura, Obama pediu paciência aos eleitores e definiu a disputa com o candidato republicano, Mitt Romney , como a escolha de uma geração entre “dois caminhos para a América”.

“Em todos os aspectos, a escolha que vocês enfrentam não será apenas entre dois candidatos e dois partidos”, disse Obama, na última e mais importante noite da Convenção Democrata , que começou na terça-feira em Charlotte, na Carolina do Norte. “Quando vocês pegarem a cédula para votar, enfrentarão a escolha de uma geração. Nos próximos anos, decisões serão tomadas em Washington sobre empregos, economia, impostos, déficit, energia, educação, paz e guerra – decisões que terão um impacto enorme nas nossas vidas, nas de nossos filhos e nas próximas décadas.”

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AP
O presidente Barack Obama durante seu discurso na Convenção Democrata

Durante o discurso, Obama buscou associar Romney a políticas econômicas que favorecem os ricos e reconquistar os eleitores que foram inspirados por sua mensagem de esperança na eleição de 2008, mas se sentem desiludidos agora, após anos de crise.

“Não vou fingir que o caminho que ofereço é fácil. Nunca fingi. Vocês me elegeram para dizer a verdade, e a verdade é que precisaremos de mais do que alguns anos para resolver problemas que duram décadas”, afirmou. “Mas nossos problemas podem ser resolvidos, nossos desafios podem ser superados. E nosso caminho pode ser mais difícil, mas leva a um lugar melhor. E estou pedindo que vocês escolham este futuro.”

Entre as metas que Obama definiu no discurso estão a criação de 1 milhão de novos empregos no setor manufatureiro até o fim de 2016, dobrar as exportações até o fim de 2014 e reduzir o déficit federal em US$ 4 trilhões na próxima década.

Obama criticou os republicanos por usarem sua convenção, realizada na semana passada em Tampa, na Flórida, para falar sobre o que está errado no país, mas não para apresentar suas propostas. O presidente provocou risos ao dizer que o corte de impostos é a resposta de seus rivais para todos os problemas: seja o déficit público ou um resfriado. Sem citar Romney nominalmente, ele também fez piada sobre o fato de Romney ter dito que a Rússia – e não a Al-Qaeda – é o maior inimigo dos Estados Unidos, e de ter levantado dúvidas sobre a organização das Olimpíadas de Londres durante uma visita à cidade enquanto os Jogos aconteciam.

O presidente americano foi apresentado pela mulher, Michelle Obama, que voltou a abraçá-lo depois do pronunciamento. As filhas do casal, Sasha e Malia, também subiram ao palco, enquanto a canção “We Take Care of Our Own” (“nós cuidamos dos nossos”, em tradução livre), de Bruce Springsteen, ecoava pela Time Warner Cable Arena, lotada por quase 20 mil espectadores.

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Obama foi precedido no palco pelo vice-presidente Joe Biden, que fez um intenso tributo a seu colega de chapa. “Pessoal, eu o observei: Ele nunca vacilou. Ele nunca recuou. Ele sempre vai além”, afirmou. “Dia após dia, noite após noite, sentei ao lado dele enquanto ele fazia uma decisão difícil após a outra. Eu o vi encarar intensa pressão e enormes desafios.”

O vice-presidente destacou duas ações de Obama durante seu mandato: o pacote de resgate à indústria automobilística após a crise de 2008 e a decisão de autorizar a operação que culminou na morte do terrorista Osama bin Laden , em maio de 2011.

Segundo o vice-presidente, Romney, um ex-empresário, encarou a crise como um negócio, visando obter o máximo de lucro. Obama, ao contrário, a encarou como uma crise que resultaria na perda de milhares de empregos e prejudicaria a imagem dos EUA no mundo.

Quanto à operação que matou Bin Laden, o vice-presidente afirmou se tratar de uma ação que “curou um ferimento quase insuportável no coração da América” e enviou uma mensagem dura aos terroristas em todo o mundo.

A última noite de convenção também contou com vários vídeos que pontuaram as conquistas de Obama no cargo, pronunciamentos de políticos e celebridades e uma apresentação da banda Foo Fighters.

AP
Obama cumprimenta o público ao lado da mulher e das filhas

Durante os três dias de evento, as ruas de Charlotte foram inundadas por milhares de usuários de buttons e camisetas pró-Obama , chapéus altos com as cores da bandeira dos EUA e placas pedindo mais quatro anos ao líder americano.

Na primeira noite , os temas dominantes foram a agenda democrata contrária às diferenças de salários entre homens e mulheres, favorável ao acesso das mulheres a métodos contraceptivos, o apoio de Obama ao casamento gay e o aceno aos eleitores hispânicos com a lembrança da decisão do atual governo de permitir a legalização de latinos que chegaram aos EUA quando crianças. Nesse dia, os principais discursos foram o do prefeito de San Antonio (Texas), Julián Castro, e da primeira-dama.

A noite de quarta-feira foi dominada pelas menções às políticas econômicas de Obama, como o pacote de resgate à indústria automobilística e 18 cortes de impostos para os pequenos negócios. Ao nomear oficialmente Obama para as eleições de novembro, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) tentou persuadir os eleitores de que, se tiver mais quatro anos, Obama consertará a economia dos EUA da mesma forma que ele fez nos anos 1990.

Com um cenário de fraco crescimento, com temores de volta da recessão e índices de desemprego que há 42 meses são superiores a 8%, a economia é o calcanhar de Aquiles de Obama. Pesquisas indicam que Obama e Romney estão empatados para a votação que ocorre daqui dois meses, com muitos americanos considerando o republicano mais capaz de solucionar a questão econômica pelo fato de ter tido uma carreira bem-sucedida como empresário.

Para combater essa ideia, o argumento usado durante toda a convenção foi o de que Obama representa um líder de políticas inclusivas, voltadas para o fortalecimento da classe média, enquanto Romney faz parte de um partido que defende políticas econômicas que enfatizam os ricos e não garantem oportunidades aos mais pobres. Tendo como mote o slogan da campanha deste ano de Obama - "Forward" (Adiante) -, a ideia defendida pelos democratas é que os eleitores devem refutar a plataforma de Romney por ela não mirar o futuro, e sim arriscar devolver o país à recessão desencadeada pela crise de 2008.

* Repórter viaja como bolsista do World Press Institute

Com agências internacionais

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