Menina de 12 anos acusada de blasfêmia é libertada sob fiança no Paquistão

Jovem cristã foi presa após ser acusada de queimar textos sagrados do Alcorão; denúncia pode ser falsa

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Um tribunal de Islamabad decidiu libertar sob fiança nesta sexta-feira a menina cristã paquistanesa Rimsha Masih, presa há três semanas após ser acusada de queimar textos corânicos, segundo informou a imprensa local.

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AFP
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O advogado da menina declarou aos jornalistas que tanto ela como sua família seguem sob séria ameaça de serem atacados por fundamentalistas radicais após a libertação, que será concedida após o pagamento de 500 mil rúpias (quase R$ 11 mil).

O presidente da Liga Ecumênica do Paquistão, Sajid Ishaq, disse à Agência Efe que uma vez que se dite formalmente a saída da prisão da menina - de 12 anos de idade e que sofre de incapacidade mental -, a prioridade é sua segurança.

Ishaq se mostrou confiante que as autoridades, que na quinta-feira constituíram um comitê de alto nível para acompanhar o caso, proporcionarão "a máxima segurança" a Rimsha e a seus familiares.

Sobre o pagamento da fiança, cuja quantia não pode ser arcada pela família, Ishaq declarou que "há várias organizações que já se mostraram dispostas a colaborar, portanto não será um problema".

Rimsha Masih foi detida no último dia 16 de agosto em sua casa do subúrbio de Mehrabadi, em Islamabad, após ser acusada por um vizinho de ter queimado - sem saber, segundo seu próprio depoimento - páginas do Qaida Nurani, um livro de instruções para aprender a ler o Alcorão.

O caso de Rimsha, que atraiu os olhares de organizações de direitos humanos e de vários Governos ocidentais, sofreu uma reviravolta no final de semana passado após a detenção do imame de uma mesquita de Mehrabadi por ter falsificado provas contra a menor.

Khalid Yadun foi preso no domingo após ser acusado por um de seus assistentes de alterar as evidências e pôr folhas arrancadas do Corão na bolsa que continha as cinzas do que foi queimado pela menina.

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