Democratas retratam Obama como promessa do 'Sonho Americano'

Em Convenção Democrata, líder é descrito como estadista centrado no futuro de americanos, enquanto rival é apontado como inevitável retrocesso dos EUA

Leda Balbino - Charlotte, EUA * | - Atualizada às

Quando discursou na noite de quinta-feira no palco da Time Warner Cable Arena, Barack Obama não era apenas o presidente americano que aceitava a candidatura para tentar a reeleição em 6 de novembro . Ele tentou personificar a imagem, reiterada na Convenção Democrata em Charlotte, Carolina do Norte, de que é o único líder capaz de manter o “Sonho Americano” vivo para todos nos EUA.

Essa promessa de campanha foi moldada discurso após discurso durante os três dias do evento que nomeou Obama oficialmente para a disputa, marcando um contraste com seu rival republicano Mitt Romney , retratado como membro de um partido excludente que veria os EUA como uma terra de oportunidades reservada a poucos.

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O presidente dos EUA, Barack Obama, aceita a nomeação do Partido Democrata para concorrer à reeleição durante convenção em Charlotte, na Carolina do Norte (06/09)

Para construir essa mensagem, a história de vida de Obama foi mencionada à exaustão. Símbolo do que o sonho americano significa, Obama foi criado por sua mãe solteira em uma família humilde e enfrentou privações para concluir seus estudos nas prestigiosas Universidade Columbia e na Faculdade de Direito de Harvard. Apesar das dificuldades, ele aproveitou as oportunidades oferecidas pelos EUA e, em 2008, tornou-se o primeiro negro a ser eleito presidente americano.

Barack conhece o sonho americano porque o viveu e quer que todos neste país tenham essa mesma oportunidade, não importa quem sejam, de onde venham, qual sua aparência ou quem amem”, disse a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, em discurso afetuoso e emotivo na noite de terça-feira.

Segundo Michelle, os quase quatro anos de Obama à frente da presidência americana não mudaram o caráter e as convicções do homem por quem se apaixonou anos atrás. Durante esse período, disse ela, o presidente americano tentou reconstruir a economia do país – que ainda sente os efeitos da crise iniciada no último ano do governo de George W. Bush (2001-2009) – tendo em mente pessoas que passam pelas mesmas dificuldades pelas quais ele passou no início de sua vida. “Ser presidente não muda quem você é; revela quem você é”, afirmou a primeira-dama sob aplausos.

A mensagem voltou a carga na noite de quarta-feira, quando Obama foi oficialmente nomeado como candidato para a reeleição pelo popular ex-presidente Bill Clinton (1993-2001). “Quero (para presidente) um homem que acredita sem duvidar que podemos construir uma nova economia do sonho americano”, disse.

Com a força de seu capital político, Clinton tentou persuadir os eleitores de que, se tiver mais quatro anos, Obama consertará a economia dos EUA da mesma forma que ele fez nos anos 1990. “Ele herdou uma economia profundamente prejudicada, começou o duro caminho para a recuperação e pôs os fundamentos para uma economia moderna e mais equilibrada que produzirá milhões de novos empregos”, afirmou.

Em seu pronunciamento, o ex-presidente também resumiu a diferença repetida como um mantra pelos democratas entre o governo Obama e o que seria uma eventual administração republicana sob Romney. "Se a sociedade desejada é aquela em que você está por sua própria conta e o vencedor leva tudo, você deve votar na chapa republicana. Se o país desejado é aquele de uma prosperidade e responsabilidade compartilhadas, você deve votar em Barack Obama e no (vice-presidente) Joe Biden", afirmou.

Escolha de uma geração

Romney foi nomeado oficialmente como candidato durante a Convenção Republicana na semana passada em Tampa, Flórida, evento que reforçou as diferenças entre as visões de governo dos dois partidos. Os republicanos querem diminuir o papel governamental, visto como um obstáculo ao empreendimento e à liberdade individual. Os democratas veem o governo como força que pode ajudar os mais humildes, argumentando que as políticas republicanas devolveriam os EUA à recessão por ter como ênfase o corte de impostos para os mais ricos e não os pobres e a classe média.

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Obama cumprimenta o público ao lado da mulher e das filhas


Em seu discurso perante quase 20 mil espectadores no auditório de Charlotte na quinta-feira, Obama traçou a diferença entre a plataforma dos dois partidos afirmando que os democratas também não acreditam que o governo possa resolver todos os problemas. “Mas não pensamos que o governo seja a fonte de todos os nossos problemas – assim como não o são os que se beneficiam do sistema de bem-estar social, ou corporações, ou sindicatos, ou imigrantes, ou gays, ou qualquer outro grupo que nos disseram para culpar por nossos problemas”, afirmou.

Com pesquisas indicando que está empatado com Romney a dois meses da eleição e com um desemprego superior a 8% marcando seu governo há 42 meses, Obama sabe que seu caminho para a reeleição não será fácil. Desde Franklin Roosevelt (1933-1945) na Grande Depressão, nenhum presidente americano foi reeleito com indices de desemprego tão altos.

Por isso, na noite de quinta, Obama caracterizou como não trivial a escolha que se impõe aos eleitores em novembro. “Vocês se confrontarão com a escolha de uma geração. Em todas as questões, a escolha não é apenas entre dois candidatos ou dois partidos. A opção é entre dois caminhos diferentes para a América”, afirmou.

Para o presidente americano, as propostas de Romney representam a volta da “mesma prescrição que os republicanos têm há 30 anos”, de um governo de políticas não inclusivas, voltado ao grande capital e que vê o sonho americano como algo reservado a poucos por cortar programas que dão aos cidadãos comuns a chance de um futuro mais próspero. “Se você rejeita a noção de que a promessa dessa nação é reservada a poucos, sua voz deve ser ouvida nessa eleição”, pediu.

Já as políticas democratas de cortes de impostos para a classe média, reforma da saúde e investimento em educação apontariam uma estrada não imediatista de crescimento sustentável para todos os americanos. “O caminho que oferecemos pode ser mais difícil, mas leva a um lugar melhor. E peço a vocês que escolham esse futuro”, disse.

Por fim, Obama tentou reavivar o sentimento de esperança que emulou nas eleições de 2008, quando seu slogan de campanha era “Yes, we can” (Sim, podemos), afirmando que a votação que lhe deu o primeiro mandato não foi sobre ele – mas sobre os que o escolheram. “Meus companheiros cidadãos, vocês foram a mudança”, afirmou antes de concluir: “Apenas vocês têm o poder de nos mover para frente.”

* Repórter viaja como bolsista do World Press Institute

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