Com força política de Clinton, democratas nomeiam Obama para reeleição

Popular ex-líder americano defende mais quatro anos para presidente dos EUA em dia de Convenção Democrata marcada por temática econômica

Leda Balbino - Charlotte, EUA* | - Atualizada às

Com a força de seu capital político e histórico de sucesso na condução da economia dos EUA nos anos 1990, o ex-presidente Bill Clinton (1993-2001) entrou no palco da lotada Time Warner Cable Arena nesta quarta-feira para nomear Barack Obama como candidato democrata a um segundo mandato nas eleições de 6 de novembro . Em um discurso marcado por reações efusivas da plateia de cerca de 20 mil espectadores durante a Convenção Democrata em Charlotte, Carolina do Norte, Clinton assegurou que Obama ainda fará muito pelo país caso conquiste nas urnas o direito de ocupar a Casa Branca por mais quatro anos. Após sua apresentação, Obama fez sua primeira aparição durante o evento. 

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Segundo Clinton, Obama “estabeleceu a fundação para uma economia mais moderna e mais equilibrada” depois de herdar os problemas deixados por George W. Bush (2001-2009). “Quero nomear um presidente que é frio por fora, mas queima por dentro pelos EUA”, disse logo após ser recebido com aplausos.

Reuters
Bill Clinton cumprimenta Barack Obama, que fez a sua primeira aparição durante a Convenção Democrata

O tom do pronunciamento de Clinton, que é muito popular nos EUA apesar do escândalo com um charuto e uma estagiária, teve como meta convencer eleitores frustrados com o alto desemprego e a crise econômica que o rival de Obama, o republicano multimilionário Mitt Romney, não é mais qualificado para liderar a recuperação econômica do país por ter uma bem-sucedida experiência empresarial.

Clinton fez seu discurso em um dia em que a maioria dos oradores abordou positivamente as políticas econômicas de Obama, como o pacote de resgate à indústria automobilística após a crise de 2008 e uma lei de apoio aos pequenos negócios, ao mesmo tempo em que relacionou a atuação de Romney como presidente da Bain Capital, firma de serviços financeiros e de gestão de fundos de investimento, como alguém que comprava empresas para levá-las à falência.

Romney foi nomeado oficialmente como candidato durante a Convenção Republicana na semana passada em Tampa, Flórida, evento que reforçou como são diferentes as visões de governo dos dois partidos. Os republicanos querem diminuir o papel governamental, visto como um obstáculo ao empreendimento e à liberdade. Os democratas veem o governo como uma força que pode ajudar os mais humildes, argumentando que as políticas republicanas devolveriam os EUA à recessão por ter como ênfase os mais ricos e não os pobres e a classe média.

Para tanto, Clinton reiterou o mantra que vem sendo repetido na convenção do partido desde terça-feira: ao contrário de Obama e sua ascensão social e política aos moldes do sonho americano - como bem enfatizado pelo discurso de terça-feira da primeira-dama Michelle Obama -, Romney não seria capaz de se conectar com o americano comum e entender os problemas que afligem a classe média do país.

"Se a sociedade desejada é aquela em que você está por sua própria conta e o vencedor leva tudo, você deve votar na chapa republicana. Se o país desejado é aquele de uma prosperidade e responsabilidade compartilhadas, você deve votar em Barack Obama e no (vice-presidente) Joe Biden", afirmou.

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Na terça-feira, a primeira-dama americana não mencionou o candidato republicano nominalmente, mas, durante um discurso cheio de afeto em relação ao marido, traçou um distinção clara entre os dois. “Trabalhar duro importa mais do que a quantidade de dinheiro que se ganha, ajudar os outros significa mais do que só pensar em si mesmo”, afirmou sob aplausos.

AFP
Bill Clinton discursa no palco da Time Warner Cable Arena durante a Convenção Democrata


No entanto, pesquisas indicam que a reeleição não será um caminho fácil para Obama, cujo primeiro mandato tem 42 meses de desemprego superior a 8%, o período mais longo desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Nenhum presidente desde Franklin Roosevelt (1933-1945) na Grande Depressão foi reeleito com indices tão altos.

Controvérsia sobre Deus e Israel

Assim como o encontro republicano em Tampa, a Convenção Democrata é cuidadosamente coreografada para evitar controvérsias. Apesar disso, os democratas foram criticados na terça-feira por adotar uma plataforma que não mencionava Deus ou não se referia a Jerusalém como capital de Israel.

Nesta quarta, vários delegados vaiaram quando o presidente da convenção, o prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, aprovou que fossem incluídas na plataforma menções a Deus e a Jerusalém como capital de Israel apesar de um grande número de delegados do partido ter se oposto à medida. Ele convocou três votações antes da decisão. Funcionários da campanha de Obama disseram que o presidente interveio pessoalmente pela alteração.

Apesar da pequena disputa, o tom geral do evento é manter a unidade em relação a Obama para assegurar sua vitória em novembro. Na quinta-feira, o presidente americano aceita oficialmente a nomeação durante um discurso no horário nobre da televisão americana.

Inicialmente previsto Estádio Bank of America, que tem capacidade para quase 74 mil espectadores, o pronunciamento foi transferido para a Time Warner Cable Arena, que tem capacidade para 20 mil, por temores de mau tempo. A mudança assegurou que não se repetirá o cenário extraordinário de 2008, quando Obama aceitou a nomeação em um estádio lotado por 84 mil espectadores em Denver, no Colorado.

*Repórter viaja como bolsista do Wolrd Press Institute

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