Em tom emotivo, democratas lançam Obama para reeleição

Michelle Obama pede em tom pessoal que americanos confiem mais quatro anos a marido; prefeito de San Antonio se torna o 1º latino a fazer discurso-chave em Convenção Democrata

Leda Balbino - Charlotte, EUA* | - Atualizada às

Os democratas lançaram Barack Obama em seu caminho incerto para a reeleição durante o primeiro dia da Convenção Nacional do partido nesta terça-feira em Charlotte, Carolina do Norte, retratando o presidente dos EUA como alguém que entende as dificuldades dos americanos comuns, enquanto apresentavam seu rival Mitt Romney como uma pessoa da classe privilegiada e sem contato com a realidade.

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AP
Michelle Obama faz discurso emotivo na Convenção Democrata em Charlotte, na Carolina do Norte

O principal discurso da noite foi o da primeira-dama Michelle Obama, que fez um pronunciamento cheio de frases afetuosas em relação ao líder americano. Com relatos de como Obama é um pai e marido amoroso, a primeira-dama afirmou que o atual presidente “é o homem que podemos confiar” para reviver a economia dos EUA, que atualmente sofre com alto desemprego, fraco crescimento e temores de volta da recessão.

Usando um vestido fúcsia e sob ensurdecedores aplausos ao longo de seu pronunciamento perante milhares na Time Warner Cable Arena, Michelle diferenciou seu marido de Mitt Romney sem mencionar o nome do republicano. Ela lembrou a história de vida mais humilde de Obama quando jovem, que dirigia um carro velho e que por um período de sua vida só teve como escolha usar calçados menores do que seu número.

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Relembrando a trajetória iniciada há quatro anos, quando Obama foi eleito o primeiro presidente negro dos EUA, Michelle disse que seu principal trabalho não é o de primeira-dama: “No fim do dia, meu título mais importante é o de mamãe-em-chefe.” A frase em referência a suas filhas Malia e Sasha estimulou uma ovação durante seu discurso, que foi o mais importante do primeiro dia do evento que oficializará Obama como candidato à reeleição para a votação de 6 de novembro.

No horário nobre da TV americana, ela conclamou os eleitores a manter seu marido na Casa Branca, afirmando que ele é um líder que “sabe em primeira mão as dificuldades cotidianas de todos os americanos, os ouve como presidente e tem uma agenda com seus interesses em mente”. Para aqueles que veem como frustradas suas expectativas em relação a um candidato que na campanha de 2008 projetou a ideia de que a mudança imediata era possível, Michelle disse que Obama sempre a lembra que “a mudança é difícil e lenta e nunca acontece de uma vez”.

AFP
Na Casa Branca, Obama assiste ao discurso da mulher com as filhas Malia e Sasha

De acordo com uma pesquisa de maio do Gallup, Michelle é vista positivamente por 66% dos americanos, índice igual ao que tinha há dois e superior à popularidade do marido. Muito disso se deve ao fato de Michelle manter-se relativamente longe da política para usar seu papel de primeira-dama em campanhas pela alimentação orgânica (cultivando uma horta na Casa Branca) e contra a obesidade infantil. Em sua defesa das atividades físicas, recentemente foi vista competindo com os apresentadores Ellen DeGeneres e Jimmy Fallon na TV.

Discurso-chave

Michelle foi precedida no palco pelo prefeito de San Antonio (Texas), Julián Castro , o primeiro americano de origem latina a fazer o discurso-chave da Convenção Democrata, em um aceno a eleitores hispânicos cujos votos são essenciais em Estados como Colorado, Nevada e Novo México.

O prefeiro de San Antonio primeiramente lembrou sua infância humilde para pontuar que ele e seu irmão gêmeo Joaquin, um legislador do Texas que deve ser eleito para o Congresso em novembro, devem seu êxito à luta de sua avó mexicana e de sua mãe e às oportunidades encontradas nos EUA.

Castro e o irmão vêm de uma família de baixa renda e tiveram de recorrer a bolsas, créditos estudantis e empréstimos para estudar nas prestigiosas Universidade de Stanford e na Faculdade de Direito de Harvard. “Minha história não é especial. O que é especial são os EUA, que deixam essas histórias acontecerem”, disse sob aplausos.

Ao mesmo tempo, porém, destacou que o país precisa continuar investindo em oportunidades e em educação para crescer e permitir a outras famílias histórias de sucesso. Para tanto, argumentou, os EUA têm de votar em Obama, e não em Romney, que caracterizou como um candidato que quer cortar programas que beneficiam a classe média.

Durante seu discurso, a imagem de sua mãe, Rosie, foi mostrada diversas vezes no telão. Com 65 anos, ela tem um grande papel no fato de os dois filhos terem chegado a cargos oficiais. Ativista dos direitos civis e mãe solteira desde que os gêmeos tinham 8 anos, ela os levava a comícios e frequentemente discutia política com os dois.

Copresidente da campanha de reeleição de Obama e estrela em ascensão no Partido Democrata, Castro, 37 anos, foi reeleito no ano passado para o cargo em San Antonio com 82% dos votos. Atualmente, tem sido alvo de especulações sobre suas ambições políticas, com alguns considerando possível que se torne o próximo governador do Texas ou mesmo tente a candidatura à presidência daqui quatro anos.

Há oito anos, a incumbência do discurso-chave coube ao então senador pelo Estado de Illinois, Barack Obama, que com seu pronunciamento acabou por se projetar nacionalmente e plantar as primeiras sementes para se eleger há quatro anos.

O presidente dos EUA será oficialmente nomeado para disputar um novo mandato na quarta-feira durante discurso do ex-presidente Bill Clinton (1993-2001). Na noite de quinta-feira, o líder americano aceitará a candidatura no Estádio Bank of America, que tem capacidade para quase 74 mil espectadores.

Pesquisas mostram Obama e Romney empatadas para as eleições. O republicano é visto como melhor candidato para melhorar a economia, a principal preocupação da campanha. Mas Obama é considerado mais capaz de se conectar com as preocupações dos americanos de classe média.

* Repórter viaja como bolsista do World Press Institute

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