Com 73% das urnas apuradas, MPLA conquista 74% dos votos do país, segundo anunciou neste domingo a comissão eleitoral

O partido do atual presidente da Angola, José Eduardo dos Santos, conquistou 74% dos votos no país, assegurando mais cinco anos de mandato para seu gabinete, que está no poder há 32 anos.

Com 73% das urnas apuradas, a comissão eleitoral do país anunciou neste domingo que o Movimento Popular de Libertação da Angola, ou MPLA, ganhou com folga. O MPLA controlará os 220 assentos do legislativo angolano, mas a margem de vitória do partido está abaixo dos 82% conquistados em 2008.

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Comissão eleitoral apura votos em Luanda, na Angola (31/08)
Reuters
Comissão eleitoral apura votos em Luanda, na Angola (31/08)


A campanha de Santos foi feita pela equipe do brasileiro João Santana , responsável pelas campanhas de reeleição de Lula , em 2006, e da eleição de Dilma Rousseff , em 2010. Atualmente, ele é responsável pela propaganda também da campanha de Hugo Chávez, na Venezuela .

O maior partido de oposição, UNITA, ficou com 18% dos votos, quase o dobro se comparado a 2008. O recém-criado CASA-CE, teve 4,6% de preferência do eleitorado. Ambos os partidos de oposição criticaram as eleições e apontaram irregularidades.

A eleição foi, em sua maior parte, pacífica e relativamente bem organizada, segundo observadores diplomáticos. "Nós não testemunhamos nenhum caso de coerção ou intimidação. As pessoas votaram livremente por todo o país", afirmou Leonardo Simão, chefe da missão observadora da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

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Ele afirmou que a participação popular de 57% dos 9 milhões de eleitores foi considerada boa, particularmente entre mulheres e jovens. "Se pessoas testemunharam irregularidades ou violações da lei, elas devem cumprir os procedimentos legais e trazer suas queixas", afirmou Simão.

Outros, entretanto, foram mais críticos ao comentar o processo eleitoral. "A única surpresa para mim é que o atual partido não ganhou com 90%", disse Elias Isaac da Iniciativa de Sociedade Aberta no Sul da África. Ele disse que muitos se absteram de votar, e que "o sistema inteiro foi construído para excluir e evitar que as pessoas chegassem aos colégios eleitorais".

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Isaac acrescentou que o partido CASA-CE foi muito bem "para um partido novo", especialmente dado o contexto do país. "Mas a verdadeira mudança só acontecerá quando o processo eleitoral for controlado por pessoas independentes e críticas."

A eleição de sexta-feira foi a segunda em Angola desde o fim dos 27 anos de guerra civil no país, de 1975 até 2002, e a terceira desde sua independência de Portugal. No dia 20 de setembro, o presidente José Eduardo dos Santos e seu partido fazem 33 anos no poder.

Com AP

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