Rebeldes do norte estendem sua área de controle com invasão de Douentza; líder islâmico afirma que milícia que controlava local entregou armas para evitar 'banho de sangue'

Extremistas islâmicos ocuparam neste sábado a estratégica cidade de Douentza, chegando mais perto do território sob controle do governo do Mali, informaram testemunhas no município e um porta-voz dos rebeldes.

Segundo residentes, no início da manhã, um comboio de caminhonetes dirigidas por homens de barba longa entraram na cidade, localizada a 800 km ao nordeste da capital do país, Bamako. Apesar de ser distante da capital, Douentza está apenas a 190 km de Mopti, que marca a fronteira do território controlado pelo Exército de Mali.

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O líder islâmico Oumar Ould Hamaha afirmou à agência Associated Press por telefone que o Movimento pela Unidade e pela Jihad no Oeste da África (conhecido pela sigla francesa MUJAO) ocupou Douentza após um breve confronto com a milícia local, que antes controlava a cidade. O chefe da milícia não foi encontrado.

O Exército do Mali perdeu o controle do norte em abril, incluindo a cidade de Douentza, para os rebeldes. Mas até agora os extremistas islâmicos não tinham se aproximado da cidade, mantendo, em vez disso, um acordo com a milícia local, que patrulhava a área.

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Hamaha disse que eles tinham "fechado os olhos" para numerosas coisas que a milícia secular andava fazendo. Eles, então, teriam perdido a paciência nos últimos dias, depois de ter ficado claro que a milícia estava tentando operar de forma independente.

"Eu disse para os meus elementos que eu precisava me livrar dessas pessoas, porque eles se recusam a nos respeitar. Nós demos a eles autorização para ficar neste lugar e agora eles querem trabalhar de forma independente", disse Hamaha.

"De manhã, quando cercamos a cidade, nós falamos para a milícia que entregasse suas armas. Eles resistiram um pouco. Tentaram fazer ligações para pefir reforços, mas quando perceberam que ninguém viria ajudá-los, entregaram suas armas para evitar um banho de sangue. Eles foram amarrados e estão com a gente agora."

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Moussa Ongoiba, um morador de Douentza, disse que contou pelo menos dez caminhonetes com islâmicos. Depois de patrulhar a cidade, os rebeldes tomaram um hotel na entrada Douentza, que agora serve como sua base militar.

Depois de entrar, os islâmicos, segundo outro residente, Oumar Samba, organizaram uma reunião com autoridades do gabinete do prefeito e de outras organizações civis. Os oficiais pediram que os integrantes do MUJAO devolvessem as armas à milícia. "Os islâmicos não aceitaram. Muitos integrantes da milícia foram embora de Douentza. O resto que ficou para trás foi preso pelos islâmicos", contou Samba.

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A queda de Douentza mostra que as forças islâmicas estão ganhando terreno e se aproximando da parte sul de Mali. Até março, Mali era considerado um dos países mais estáveis da região, com um histórico de 20 anos de eleições democráticas. Isso mudou em questão de horas quando o Exército derrubou o governo eleito, e tomou o poder na manhã de 22 de março.

O golpe abriu uma brecha para os islâmicos do norte. Desde então, os extremistas ganharam espaço e provocaram a fuga de 440 mil pessoas, segundo levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Desde abril, entretanto, a fronteira não oficial entre o sul controlado pelo governo e o norte rebelde foi respeitada. Os acontecimentos deste sábado indicam que os islâmicos podem ter ambições para além de seus territórios.

Com AP

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