África do Sul vai retirar acusações contra mineiros por massacre em Marikana

Mais de duzentos mineiros detidos pelo massacre de seus companheiros por disparos da polícia durante greve serão libertados, afirmou procuradoria

iG São Paulo |

A Procuradoria da África do Sul anunciou neste domingo que vai retirar as acusações de assassinato a 270 mineiros pelo massacre de seus companheiros por disparos da polícia durante a greve em uma mina de platina na cidade de Marikana.

O diretor nacional da Procuradoria, Nomgcobo Jiba, afirmou em entrevista coletiva realizada neste domingo em Pretória que as acusações de assassinato só serão apresentadas assim que avançar a investigação do episódio, informou a emissora sul-africana Talk Radio .

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AP
Parentes e colegas de mineiro morto visitam local próximo à mina de platina da Lonmin


As acusações não podem ser retiradas formalmente até o final do inquérito, mas os promotores afirmaram que os mineiros detidos serão libertados, segundo a rede britânica BBC.

Os 270 mineiros em greve na mina de Marikana foram acusados de assassinato na sexta-feira pelo massacre de seus companheiros com base em uma lei do apartheid, regime racista imposto pela minoria branca sul-africana até 1994, que responsabiliza todos os participantes de um protesto pelas mortes que ocorrerem nele.

Os trabalhadores deverão pagar uma fiança e podem ser libertados na próxima quarta-feira, quando houver o reinício da audiência sobre o caso, acrescentou o diretor da Procuradoria.

A decisão de prender os mineiros causou espanto na África do Sul pela aplicação da doutrina do "propósito comum", que durante o apartheid foi utilizada para perseguir e deter sistematicamente aos cidadãos que enfrentassem o governo em prol da democracia e da igualdade racial no país.

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O ministro da Justiça da África do Sul, Joseph Radebe, chegou a pedir explicações à Procuradoria sobre o fundamento das acusações. Em carta remetida ao governo sul-africano, os advogados dos 270 detidos pediram a intervenção do presidente Jacob Zuma e a libertação imediata dos acusados.

"Se Zuma não agir, iremos aos tribunais para obter uma ordem urgente que o obrigue a isso", ameaçaram os advogados dos mineiros, que deram um prazo até às 9h de Brasília deste domingo para que o chefe do Estado intercedesse no assunto.

Durante protesto: Polícia abre fogo contra mineiros na África do Sul

Em comunicado, o presidente Zuma afirmou ontem que não interferiria no julgamento, e insistiu na independência dos tribunais e da Procuradoria. Depois que a polícia fez disparos no dia 16 de agosto em direção a um grupo de grevistas - que estava armado com pedaços de pau e armas de fogo, segundo o governo - 259 manifestantes foram presos.

Outros 11 mineiros que ficaram feridos durante o episódio foram detidos no hospital. Os mineiros estão em greve desde o 10 de agosto para reivindicar aumento salarial na mina de platina da companhia Lonmin.

Desde o início dos protestos, 44 pessoas morreram, entre elas dois policiais, dois seguranças e seis mineiros antes do massacre de 16 de agosto. Ninguém foi acusado, até o momento, da morte destas dez pessoas, informou a Procuradoria sul-africana. 

Com EFE e BBC

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