Rebeldes sírios atacam instalações das forças de Assad

Combates são registrados em aeroporto usado por militares no dia em que Lakhdar Brahimi assume como novo enviado da ONU; oposição aponta mais de 100 mortos neste sábado

iG São Paulo | - Atualizada às

Rebeldes tomaram instalações de defesa aérea e atacaram um aeroporto militar no leste da Síria neste sábado, mesmo dia em que Lakhdar Brahimi assumiu o cargo de enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para o país. Segundo grupos de oposição, a violência no país neste sábado provocou mais de 100 mortes, a maioria na capital, Damasco.

Rebeldes em Deir al-Zor invadiram um prédio de defesa aérea neste sábado levando pelo menos 16 presos e apreendendo um número desconhecido de mísseis anti-ataques aéreos, disse Rami Abdulrahman do Observatório Sírio para Direitos Humanos, com sede no Reino Unido.

Leia também: Rebeldes sírios recebem ajuda para fabricar armas contra o regime 

Reuters
Fumaça é vista após ataque aéreo das tropas de segurança da síria em El Edaa, perto de Aleppo

Vídeo postado na internet por ativistas mostra os oficiais e soldados capturados pelos rebeldes, e imagens da canal de televisão Al Arabiya mostram o que afirma ser mísseis e munição apreendidos durante a invasão.

Abdulrahman disse que rebeldes também atacaram a base aérea de Hamdan em Albu Kamal, próxima da fronteira oriental da Síria com o Iraque, mas não tiveram sucesso em invadir o local.

Leia também: Assad diz que precisa de tempo para vencer 'batalha' contra rebeldes

Os ataques ocorrem três dias depois que os rebeldes atacaram a base aérea de Taftanaz, na província de Idlib, onde disseram que vários helicópteros foram destruídos. Os insurgentes também disseram que derrubaram um jato de combate e um helicóptero na semana passada.

O presidente da Síria, Bashar Al-Assad, perdeu o controle das áreas rurais nas regiões norte, leste e sul e recorreu a helicópteros e a jatos de combate para reprimir a revolta popular que começou no ano passado. Neste sábado, vários ataques aéreos foram registrados na região de Aleppo.

Saiba mais: Veja o especial sobre as revoltas no mundo árabe

Os bombardeios levaram a novas ondas de refugiados em direção a países vizinhos, reavivando os pedidos turcos para que "áreas de segurança" sejam criadas no território sírio -apelos ignorados por um Conselho de Segurança da ONU dividido e potências ocidentais relutantes em se comprometer com forças militares necessárias para assegurar essas zonas.

Ao assumir o cargo de enviado para a Síria, Brahimi afirmou que o regime de Assad precisa entender que mudanças são "urgentes" e "necessárias". "O povo sírio deve ter seus desejos legítimos atendidos", afirmou.

Brahimi substitui Kofi Annan, que não renovou seu período no posto após um plano de paz negociado por ele não ter conseguido acabar com a violência.

Violência

Mais de 100 pessoas morreram neste sábado na Síria por conta dos confrontos entre tropas do regime Assad e rebeldes, segundo informaram grupos da oposição. A Comissão Geral da Revolução Síria apontou que pelo menos 134 pessoas foram morta, enquanto os Comitês de Coordenação Local e a Organização Síria para os Direitos Humanos elevaram este número para 146.

AP
Em imagem capturada de vídeo, rebelde sírio atira contra bases do Exército de Assad em Aleppo


A maior parte das vítimas morreu na capital Damasco, segundo as organizações, e em sua periferia, alvo de intensos bombardeios das tropas do regime e onde, segundo os opositores, foram encontrados hoje inúmeros corpos de pessoas executadas em diferentes bairros.

Em Kafr Batna, região situada nos arredores da capital, a Comissão e os Comitês afirmaram que encontraram os corpos de 14 pessoas assassinadas a tiros, embora o Observatório Sírio de Direitos Humanos tenha mencionado 12.

Este último grupo acrescentou que também encontraram corpos nas regiões de Heteita al Turkomán, em Guta al Sharqia e em Harsata, todas na periferia de Damasco. Em Al Qadam, as organizações opositoras também encontraram os corpos de cinco pessoas, as quais teriam sido torturadas e mutiladas.

O ativista da rede Sham Suhaib al Qasem, sediada nos arredores de Damasco, confirmou a morte de mais quatro pessoas na cidade de Al Tel, também na periferia da capital.

Segundo o ativista, na manhã deste sábado, as forças governamentais bombardearam intensamente a zona de Hayar Asuad e Arbin, nos arredores de Damasco, que foi castigada pelos tanques do regime.

Com Reuters, EFE e AP

    Leia tudo sobre: síriaassadmundo árabeonuprimavera árabe

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG