Partido do atual presidente lidera apuração com folga na Angola

Com 60% das urnas apuradas, MPLA do líder Jose Eduardo dos Santos tem mais de 74% dos votos

iG São Paulo |

O presidente da Angola, Jose Eduardo dos Santos, do partido MPLA, está vencendo com conforto as eleições nacionais do país. Com cerca de 60% das urnas apuradas, Santos tem 74,46% dos votos, disseram autoridades neste sábado.

Resultados provisórios da eleição, divulgados pela comissão das eleições nacionais, colocam o MPLA muito à frente dos rivais. A eleição foi criticada como unilateral e cheia de irregularidades pelos líderes de oposição, que, depois, concordou em aceitar o resultado.

Leia também:  Angola tem votação calma, mas eleitores criticam desorganização

Reuters
Comissão eleitoral apura votos em Luanda, na Angola (31/08)

De acordo com a Constituição do país, uma vitória do MPLA significará que Santos, que fez 70 anos nesta semana, seja eleito por mais cinco anos além dos quase 33 anos que já ficou no poder no segundo maior país produtor de petróleo da África.

Os resultados provisórios anunciados no sábado deram ao principal adversário do MPLA, o ex-grupo rebelde Unita, 17,94% dos votos. O terceiro lugar é do partido CASA-CE, com 4,53% dos votos.

O comparecimento às urnas foi de pouco acima dos 57%, segundo apurou a comissão.

Essa foi apenas a terceira eleição nacional desde que Angola conquistou a independência de Portugal em 1975, e é a segundo desde o fim de uma guerra civil que durou 27 anos.

Interesses brasileiros

A eleição em Angola é acompanhada com interesse pelo governo brasileiro, que tem no país africano, segundo maior produtor de petróleo do continente, um dos seus maiores destinos de investimentos externos.

Desde 2006, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ofereceu a Angola US$ 3,2 bilhões (R$ 6,4 bilhões) em empréstimos para financiar obras ou serviços de empresas brasileiras no país africano.

Leia também:  Em Angola, marqueteiro do PT busca reeleição de líder há 33 anos no poder

O banco já aprovou outra linha de crédito no valor de US$ 2 bilhões para repasses a partir de 2013. No ano passado, entre todos os países, Angola só recebeu menos empréstimos do BNDES que a Argentina.

Os financiamentos – destinados sobretudo a grandes empreiteiras – ajudaram a inflar a comunidade brasileira em Angola, estimada em 25 mil pessoas por uma associação de empresários nacionais.

O grande número de brasileiros no país é outro motivo para a atenção do governo. No início do ano, a instabilidade criada por uma onda de protestos contra Dos Santos fez com que a embaixadora brasileira em Angola, Ana Cabral, telefonasse a compatriotas para recomendar que permanecessem em casa até que a poeira baixasse.

Organizadas pela internet por jovens em Luanda, as manifestações começaram em 2011 e foram duramente reprimidas. Não chegaram a juntar multidões – calcula-se que a maior tenha reunido no máximo 2 mil pessoas –, mas preocuparam autoridades e articularam muitos angolanos descontentes com o governo, que até então temiam criticá-lo.

Com Reuters e BBC Brasil

    Leia tudo sobre: eleição em angolaangola

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG