Livro de ex-militar contradiz versão oficial sobre morte de Bin Laden

Obra que será lançada na semana que vem levanta dúvidas sobre se o terrorista representou ameaça ao grupo de elite do Exército dos EUA que o matou

iG São Paulo | - Atualizada às

Um relato em primeira pessoa sobre a operação do Exército americano que matou o criador da Al-Qaeda, Osama bin Laden , contradiz a versão oficial e levanta dúvidas sobre se o terrorista representou alguma ameaça para os militares que o mataram.

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O motivo da controvérsia é o livro ”No Easy Day”, que no Brasil será lançado como “Não Há Dia Fácil: Um líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden”. A obra é escrita pelo ex-militar americano Matt Bissonnette (sob o pseudônimo de Mark Owen), que participou da operação.

Em seu relato, que chega às lojas na semana que vem , o autor disse ter ficado logo atrás de outro militar que subia as escadas da casa onde Bin Laden se escondia no Paquistão.

Ele disse ter ouvido dois tiros quando se aproximava dos últimos degraus, sem especificar quem os disparou.

Segundo o relato, o militar que estava à frente tinha visto um homem espiando atrás de uma porta do lado direito do corredor. Os soldados então entraram no quarto e encontraram o homem em meio a uma poça de sangue, com um tiro na cabeça e duas mulheres ao lado de seu corpo. Quando limparam o sangue, eles tiveram a certeza de que o homem era Bin Laden.

Bissonnette afirmou que, após tirarem as mulheres do local, os militares fizeram disparos de laser em Bin Laden, que ainda se mexia, até que os movimentos acabassem. Depois, encontraram duas armas guardadas no corredor, que não tinham sido tocadas.

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Em maio de 2011, quando a operação aconteceu, autoridades americanas disseram que os militares só atiraram em Bin Laden após ele ter corrido para o quarto, por acreditarem que ele buscava uma arma. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Visitor, não quis comentar a contradição apontada pelo livro.

A obra provocou questionamentos sobre se os militares tinham como missão capturar ou simplesmente matar Bin Laden. De acordo com Bissonnette, a instrução dada anteriormente era a de que aquela missão não era de “assassinato”.

Um major aposentado das Forças Armadas ouvido pela AP afirmou que o relato de Bissonnette não está em desacordo com as ordens recebidas pelos militares. “Não era sem sentido que eles atirassem em um individuo que espiasse pela porta”, afirmou Charlie Dunlap. “Em um espaço pequeno, onde está claro que há elementos hostis, eles têm de tomar as atitudes necessárias para garantir sua segurança e finalizar a missão.”

Dunlap opinou que a morte de Bin Laden é legalmente aceitável mesmo no relato do livro, porque era uma forma de impedir que o terrorista detonasse explosivos ou buscasse armas.

O livro foi uma surpresa tanto para a Casa Branca como para o Pentágono, que, segundo indicaram, não foram consultados. "O autor não buscou nem apoio, nem aprovação para este livro", assinalou o porta-voz da Marinha, contra-almirante John Kirby.

A Editora Paralela é responsável pelo lançamento do “Não Há Dia Fácil: Um líder da Tropa de Elite Americana Conta Como Mataram Osama Bin Laden” no Brasil. A obra terá sua versão digital comercializada a partir de 11 de setembro, enquanto o livro impresso chega às lojas em 20 de setembro.

*Com AP

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