Violência cresce e amedronta prisões da Venezuela

Somente no primeiro semestre deste ano, tumultos e confrontos entre gangues rivais nos centros de detenção do país deixaram 304 mortos, um aumento de 15% em relação a 2011

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O número de assassinatos dentro das prisões venezuelanas aumentou neste ano, de acordo com um grupo de direitos humanos, embora o presidente Hugo Chávez continue a enfrentar crescente pressão para reduzir a violência durante sua campanha à reeleição.

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Parentes de detentos esperam por informação do lado de fora da prisão de Yare 1 depois de rebelião na qual 20 morreram no centro de detenção (20/8)

Tumultos e confrontos entre gangues rivais nas prisões venezuelanas deixaram 304 presos mortos durante o primeiro semestre de 2012, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Observatório de Prisões Venezuelano, que acompanha a violência carcerária no país.

A violência nas prisões matou 264 presos nos primeiros seis meses de 2011 e um total de 476 prisioneiros em 2010, de acordo com o grupo.

A violência nas prisões continua aumentando porque "as políticas que o governo tem implementado e todo o trabalho que tem sido feito não tem se concentrado em proteger a vida dos detentos", disse o diretor do grupo, Humberto Prado.

Revoltas e superlotação dentro das 33 prisões da Venezuela se tornaram grandes problemas para o governo de Chávez. A violência é comum dentro das prisões da Venezuela, onde os presos muitas vezes conseguem obter armas e drogas com a ajuda de guardas corruptos.

Medidas

Após a revolta mortal do ano passado em El Rodeo 1 e El Rodeo 2, prisões localizadas nas redondezas de Caracas, capital do país, Chávez anunciou planos para reestruturar o conturbado sistema penitenciário nacional e ordenou que as autoridades transferissem muitos dos detentos das duas prisões para a El Rodeo 3, um complexo adjacente.

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O líder socialista prometeu melhorar as condições de vida no interior das 33 prisões do país e acelerar julgamentos de presos que ainda não foram condenados.

O presidente também criou um novo ministério dedicado exclusivamente à resolução de problemas relacionados às prisões e indicou Iris Varela, uma ex-legisladora de seu partido, para assumir o comando das iniciativas do governo.

O candidato presidencial da oposição, Henrique Capriles, criticou fortemente o fracasso do governo em conter a violência nas prisões e prometeu resolver o problema caso vença Chávez na próxima eleição.

Capriles propôs reduzir a violência através da construção de novas prisões e também da expansão da capacidade das já existentes, separando presos acusados de crimes não-violentos de seus colegas com tendência à violência e de acabar com a corrupção generalizada entre os guardas, que muitas vezes aceitam propinas para fornecer drogas e armas de fogo aos presos.

Na segunda-feira, dia 20 de agosto, parentes de detentos dentro do complexo El Rodeo 3 disseram que recentemente guardas da prisão atacaram 650 prisioneiros, atirando balas de borracha contra eles e os espancando com bastões de madeira e tubos de metal, deixando várias lesões nos presos.

Prado, um ex-presidiário que virou ativista, chamou os supostos ataques dos guardas de "uma política de retaliação" e disse que as acusações seriam enviadas para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, na Costa Rica.

População carcerária

A Venezuela tem atualmente 33 prisões construídas para acolher cerca de 12 mil presos, mas autoridades disseram que as prisões têm cerca de 47 mil.

Varela disse que o governo pretende em breve iniciar a construção de oito novas prisões, que devem ser concluídas no ano que vem.

*Por Fabiola Sanchez

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