Gaza deixará de ser "habitável" até 2020, alerta ONU

"É preciso agir agora sobre aspectos fundamentais da vida: saneamento básico, eletricidade, educação, saúde e outros aspectos", diz ONU

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Gaza não será mais "habitável" até 2020 caso não sejam tomadas medidas urgentes para melhorar o abastecimento de água e energia, a saúde e a educação, advertiu nesta segunda-feira o mais amplo relatório já feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o enclave palestino.

"É preciso agir agora para que Gaza seja um lugar habitável em 2020 e já é difícil no momento", disse o coordenador humanitário da ONU Maxwell Gaylard a jornalistas durante o lançamento do relatório na segunda-feira.

Submetida há cinco anos a um bloqueio israelense apoiado pelo Egito e vivendo sob o governo de um partido único, a população de Gaza de 1,6 milhão de habitantes deve aumentar em 500 mil ao longo dos próximos oito anos, afirmaram os autores do relatório da ONU.

Gaza tem uma das populações mais jovens do mundo - 51 por cento das pessoas têm menos de 18 anos.

"É preciso agir agora sobre aspectos fundamentais da vida: saneamento básico, eletricidade, educação, saúde e outros aspectos", afirmou Gaylard.

Desde 2007, Gaza está sob o controle da organização islâmica Hamas, um movimento político armado que rejeita a paz permanente com Israel. Eles travaram uma guerra ao longo de três semanas em janeiro de 2009, e Israel resiste à pressão internacional para suspender o bloqueio, que, segundo diz, evita que o Hamas obtenha armas.

Gaza não possui aeroporto nem porto marítimo. A fronteira é tensa, com confrontos frequentes envolvendo foguetes e morteiros disparados de Gaza e ataques aéreos feitos por Israel. Foguetes de Gaza atingiram o território israelense no domingo, danificando uma fábrica na cidade de Sderot, a leste do enclave.

Israel reduziu parcialmente as restrições em meados de 2010 e a economia de Gaza começou a ganhar algum fôlego. Estima-se que o PIB real tenha subido 28 por cento no primeiro semestre de 2011, e o desemprego caído de 37 por cento para 28 por cento em 2011.

O relatório, no entanto, que contou com a participação de várias agências da ONU, disse que o crescimento nos próximos oito anos será lento, uma vez que o isolamento atual de Gaza praticamente inviabiliza a economia do território.

A população da estreita faixa costeira vive basicamente da ajuda da ONU, do financiamento estrangeiro e do comércio de contrabando dos túneis, que leva alimentos, material de construção, produtos eletrônicos e carros do Egito para Gaza.

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