França investigará circunstâncias da morte de Yasser Arafat

Abertura de inquérito segue ação apresentada por viúva Suha Arafat por suspeita de envenenamento de líder palestino

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Um juiz francês investigará a morte de Yasser Arafat em um hospital nas imediações de Paris após a abertura nesta terça-feira, em Nanterre (França), de uma investigação judicial por assassinato, diante das suspeitas de sua viúva de que foi envenenado com polônio .

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Líder palestino Yasser Arafat morreu em 11 de novembro de 2004 (foto de arquivo)

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A abertura desta investigação é consequência de uma ação apresentada por Suha Arafat, viúva do chefe da Autoridade Palestina, contra pessoa desconhecida por assassinato no dia 31 de julho.

Essa queixa "não prescreveu porque foi apresentada menos de dez anos depois dos fatos e tem como único objetivo estabelecer a verdade", disse Pierre-Olivier Sur, advogado da senhora Arafat em Paris.

Nunca foi divulgada uma informação médica clara sobre as razões da morte do dirigente palestino, ocorrida em 11 de novembro de 2004, em um hospital militar localizado nas imediações de Paris, depois de uma rápida deterioração de seu estado de saúde que obrigou uma internação na França.

As autoridades palestinas e os familiares de Arafat estão convencidos de que ele morreu envenenado.

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Reação

Reagindo à informação, Israel declarou que não se sente afetada pela abertura da investigação. "Israel não se sente afetado por essa investigação, apesar das acusações absurdas contra nós", declarou o porta-voz do chancelaria israelense, Yigal Palmor.

Na sexta-feira, o Instituto de Radiofísica de Lausanne anunciou que enviará especialistas a Ramallah para examinar os restos de Arafat, depois de sua viúva ter dado luz verde para a busca de uma eventual presença de polônio.

Os advogados da viúva de Arafat e de sua filha haviam considerado que a “investigação deve ser realizado em colaboração com a Justiça francesa".

A polêmica sobre as causas da morte de Arafat foi reavivada no dia 3 de julho com a divulgação de um documentário pela rede árabe Al-Jazeera que indicava que o Instituto Radiofísico de Lausanne, que analisou amostras biológicas extraídas dos pertences de Arafat entregues a sua viúva pelo hospital de Percy, havia descoberto "uma quantidade anormal de polônio".

Devido à descoberta, o Centro Hospitalar Universitário Vaudois (CHUV) recebeu no início de agosto uma mensagem de correio eletrônico da Autoridade Palestina solicitando esse exame e pediu que a viúva de Arafat desse o seu consentimento.

Os especialistas do CHUV estão preparados para ir à Cisjordânia "em alguns dias", declarou na sexta-feira o porta-voz do centro, Darcy Christen, acrescentando que é preciso agir rapidamente.

"Não temos muito tempo, podemos dizer que é uma questão de semanas, não de meses, porque os traços de polônio são reduzidos em 50% a cada 138 dias", insistiu Christen.

Rússia

O polônio foi o elemento usado para envenenar em 2006 Alexander Litvinenko, um ex-espião russo morto em Londres, depois de ter se tornado opositor do presidente Vladimir Putin.

Segundo Christen, os especialistas realizarão primeiro "uma missão de identificação", para se reunir com os representantes da Autoridade Palestina, observar as condições do mausoléu e identificar os meios tecnológicos e científicos disponíveis no local.

O exame do corpo deve ser realizado em uma segunda missão.

A reação dos palestinos foi imediata. "Saudamos essa decisão", declarou o negociador palestino, Saeb Erakat, indicando que o presidente Mahmoud Abbas havia pedido oficialmente a ajuda do chefe de Estado francês, François Hollande, na investigação sobre as circunstâncias do "martírio" de Arafat.

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