Minutos depois de autoridades terem anunciado extinção do fogo, chamas voltaram a tomar tanques de Amuay

Minutos depois de autoridades terem anunciado o fim do incêndio na refinaria de Amuay, na Venezuela, o fogo voltou a atingir a maior instalação de refino de petróleo do país, por volta das 10h da manhã desta terça-feira.

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No início da manhã desta terça-feira, o ministro de Petróleo e Mineração da Venezuela, Rafael Ramirez, havia anunciado que o fogo que causou a morte de mais de 40 pessoas estava extinto depois de uma destruição massiva após três dias.

Bombeiros tentam apagar fogo de tanque da refinaria de Amuay, perto de Punto Fijo, na Venezuela
AP
Bombeiros tentam apagar fogo de tanque da refinaria de Amuay, perto de Punto Fijo, na Venezuela

Logo depois das declarações veiculadas na TV estatal, novas chamas surgiram logo após às 10h30 em um dos tanques de armazenamento que foi atingido pela explosão. Cerca de 20 minutos depois, de acordo com o jornal venezuelano Últimas Notícias, as chamas voltaram a aparecer. Às 11h, as chamas teriam voltado a aparecer, segundo o Últimas Notícias.

Segundo técnicos da indústria petroleira, esse vai e vem ocorre porque o composto do tanque 204 é nafta catalítica, um elemento muito instável que até não ser eliminado por completo fará com as chamas se apaguem e ressurjam.

Atividades

Ramirez garantiu que em dois dias as atividades serão retomadas em Amuay, que integra ao lado da refinaria de Cardón o Centro de Refinação Paraguaná (CRP), que tem capacidade total de 955 mil barris diários.

O vazamento de gás, cujas causas deverão ser determinadas por uma comissão investigadora criada pelo governo venezuelano, matou na madrugada de sábado ao menos 41 pessoas, segundo o balanço fornecido na segunda-feira por autoridades.

Entre os mortos, há pelo menos 20 militares da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), que cuidavam da proteção da refinaria e viviam nas imediações, com seus familiares.

Além disso, 33 famílias foram abrigadas na vizinha base naval de Punto Fijo depois de perder suas casas. Segundo a governadora de Falcón, Stella Lugo, 520 moradias afetadas nos arredores.

Nos bairros vizinhos ao complexo, os moradores continuavam retirando nesta terça-feira os pertences de suas casas danificadas, com ajuda de membros da GNB e funcionários da PDVSA.

Por causa do acidente, o pior registrado em instalações da PDVSA, criada nos anos 70, o presidente Hugo Chávez decretou no sábado três dias de luto.

Opositores ao governo e especialistas acusam o Estado e a PDVSA de falta de manutenção nas instalações petroleiras do país.

Mas Chávez, que visitou a zona afetada, descartou as acusações, chamando de irresponsáveis as pessoas que levantam essa hipótese. Segundo a PDVSA, nos últimos cinco anos foram investidos US$ 4,8 bilhões na manutenção do complexo.

O governo enfatizou que o incidente não afetará as exportações de derivados de petróleo ou o fornecimento interno.

A Venezuela, maior produtor de petróleo na América do Sul e quinto exportador mundial, produz em média 3 milhões de barris diários, segundo dados oficiais. A Opep, no entanto, afirma que a oferta de petróleo do país é de 2,3 milhões de barris diários.

*Com AFP

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