Mulher de político chinês afastado é condenada à morte, mas evita a execução

Gu Kailai, casada com Bo Xilai, recebe 'moratória' de dois anos que, na prática, transforma sua pena em prisão perpétua

iG São Paulo | - Atualizada às

A mulher de Bo Xilai, político afastado do Partido Comunista Chinês, foi condenada nesta segunda-feira pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood. Gu Kailai recebeu uma pena de morte com uma "moratória" de dois anos. Isso significa que, se não cometer nenhuma infração nesse período, a chinesa poderá ter sua pena transmutada em prisão perpétua.

O benefício foi concedido porque, no entendimento do tribunal, Gu Kailai teria problemas psicológicos e agiu para defender o filho, que estava sendo ameaçado por Heywood. Além disso, segundo o tribunal, a sentença foi atenuada pelo fato de a ré ter colaborado com as investigações.

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Reuters
Gu Kailai, mulher de Bo Xilai, durante seu julgamento em Hefei, na China (09/08)

Ela não pretende apelar da sentença, assim como Zhang Xiaoju, empregado da família e seu címplica no assassinado, condenado a nove anos de prisão. Também foram condenados quatro autoridades da polícia por obstruir as investigações com o intuito de encobrir Gu. Guo Weiguo, Li Yang, Wang Pengfei e Wang Zhi foram condenados a penas que oscilam entre cinco e 11 anos de prisão. 

O caso é um dos maiores escândalos políticos da China. Inicialmente autoridades locais disseram que Heywood morreu após beber em excesso, mas em abril o governo anunciou que estava investigando o envolvimento de Gu. Em março, Bo Xilai, até então um político em ascensão cotado para integrar o novo comitê central, foi afastado de seus cargos no Partido Comunista Chinês. Ele era a principal autoridade política na região de Chongqing, a mesma onde o empresário foi morto.

A queda de Bo começou quando o então chefe da polícia de Chongqing, Wang Lijun, procurou o consulado dos Estados Unidos para supostamente pedir asilo político após uma discussão com Bo sobre a investigação do caso Heywood. O caso ganhou repercussão e, aos poucos, ganhou novos desdobramentos até chegar às acusações contra Gu.

Segundo a versão do tribunal, em novembro Heywood viajou de Pequim para um hotel dos arredores de Chongqing - onde Bo Xilai era o chefe do Partido Comunista da China - a convite de Gu. Após beber álcool, se sentiu mal e vomitou, momento no qual Gu lhe deu para beber uma garrafa de água na qual tinha diluído cianureto.

Depois, Gu deixou algumas pastilhas com sedativos no quarto para simular um acidente e saiu, colocando um sinal de "não incomodar" na porta. Por isso, funcionários do hotel só descobriram o corpo do empresário no dia seguinte.

Partido Comunista

A condenação coloca um ponto final nas investigações sobre o caso, mas abre uma série de dúvidas sobre qual poderia ter sido o papel da cúpula do Partido Comunista chinês na forma como ele foi encaminhado.

Como todas as instituições chinesas, os tribunais do país devem se curvar às ordens do Partido Comunista. Para muitos observadores, a forma como as evidências do caso foram apresentadas e as conclusões anunciadas são simplesmente muito convenientes politicamente para serem verdade.

Em primeiro lugar não há nenhuma menção à possibilidade de atos de corrupção estarem por trás do assassinato. Em vez disso, o inquérito e o veredicto dizem apenas que Heywood estava envolvido em uma disputa com a família de Gu Kailai sobre um negócio que não deu certo.

O fato de que Gu Kailai não será enviada ao pelotão de fuzilamento, evitando o risco de ampliar a atenção dada pela mídia internacional ao caso, também foi conveniente para o PC. Além disso, apesar de quatro policiais terem sido levados a julgamento por seu papel na tentativa de encobrir o caso, não houve qualquer menção à situação de Bo Xilai.

"Trata-se de um crime comum, e a sociedade deve vê-lo como tal", escreveu sobre o caso o jornal Global Times, do Partido Comunista.

Com EFE e BBC

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