Mineiros voltam ao trabalho após mortes de grevistas na África do Sul

Mina de platina no nordeste do país retomou de forma tímida produção após dez dias de protestos, com 27% do total de funcionários

iG São Paulo | - Atualizada às

A mina de platina de Marikana, situada no nordeste da África do Sul, onde 34 mineiros em greve foram assassinados pela polícia local na última quinta-feira, conseguiu retomar sua produção de forma tímida após dez dias dos protestos.

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AP
Mosiuoa Lekota, líder do partido Congresso do Povo fala a mineiros em mina da Lonmin, na África do Sul


Mark Munroe, vice-presidente executivo de mineração da Lonmin, que é proprietária da mina, disse que a empresa conseguiu reiniciar nesta segunda-feira sua produção, embora de maneira "insignificante", e comemorou que 27% dos empregados tenha comparecido ao trabalho.

"A maioria dos trabalhadores não está em greve, e não pôde ir trabalhar devido à violência que cercou essa greve ilegal", acrescentou o diretor.

A direção não mencionou, no entanto, a reunião de cerca de 3 mil pessoas pouco antes no acampamento dos mineiros, onde os líderes do protesto decidiram continuar a greve até conseguirem sua reivindicação de melhora salarial, e receberam o apoio de chefes tribais da zona, políticos da oposição e organizações da sociedade civil.

Greve

Cerca de 3 mil mineiros iniciaram uma greve no último dia 10 de agosto para exigir um aumento salarial, o que acabou em uma sangrenta tragédia, na qual 34 mineiros em greve foram assassinados pelas polícia em uma ofensiva contra um grupo isolado.

Com a intenção de dar fim ao impasse, a Lonmin e os sindicatos dos mineiros também se reuniram nesta segunda-feira.

Até o fim da tarde desta segunda-feira, a Associação de Trabalhadores da Mineração e Construção (AMCU), sindicato minoritário que iniciou a greve no dia 10, ainda não havia alcançado um acordo com a direção de exploração da mina de platina.

A companhia - cujos diretores apresentaram juntamente com o sindicato majoritário União Nacional dos Mineiros (NUM) o número de mineiros que voltaram ao trabalho - chegou a prorrogar até as 6h locais de amanhã (3h de Brasília) o ultimato dado aos mineiros para voltar ao trabalho ou sofrer demissão, devido às "circunstâncias atuais", em referência à extrema tensão vivida nos arredores da mina.

Os grevistas devem se reunir na terça-feira de manhã e avaliar o ultimato de Lonmin.

No total, desde o início da greve, 44 pessoas foram mortas, o que se transformou no protesto mais sangrento da África do Sul depois do fim do regime racista do apartheid, que caiu no início dos anos 90 e que governou o país durante quatro décadas.

Ainda nesta segunda-feira, a África do Sul iniciou uma semana de luto oficial, que foi decretada no domingo pelo presidente sul-africano, Jacob Zuma. Segundo ele, o funeral oficial será realizado na próxima quinta-feira.

*Com EFE

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