Congressista americano pede desculpas por comentário sobre 'estupro legítimo'

Todd Akin enfrenta pressão para desistir de concorrer ao Senado no Missouri após dizer que mulheres são capazes de evitar gravidez quando são estupradas

iG São Paulo |

O congressista republicano Todd Akin enfrenta forte pressão para abandonar a disputa pelo Senado no Estado de Missouri, após ter dito na televisão que os corpos das mulheres são naturalmente capazes de evitar gravidez caso elas sejam vítimas de um " legítimo estupro ". Nesta segunda-feira, Akin pediu desculpas pelo comentário, dizendo que o aborto "nunca é legítimo", mas garantiu que continua na campanha.

"As boas pessoas do Missouri me escolheram (para ser o candidato republicano na eleição) e eu não sou de desistir", afirmou. "Tenho certeza de que vamos levar tudo adiante e que vamos vencer, com a graça de Deus.

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AP
Todd Akin e sua mulher, Lulli, em Sedalia, no Missouri (16/8)

Akin, que é membro do Comitê de Ciência da Câmara dos Deputados, fez os comentários em uma entrevista para a emissora KTVI-TV, ao responder se acreditava que o aborto deveria ser proibido mesmo quando a gravidez fosse resultado de um estupro.

"Parece-me, pelo que entendi dos médicos, que isso é muito raro. No caso de um legítimo estupro, o corpo feminino tem maneiras de bloquear essa coisa toda", disse Akin. "Mas vamos supor que, talvez, esse mecanismo não funcione... Acho que deveria haver uma punição, mas é o estuprador quem deveria ser punido, não a criança", acrescentou.

Ao menos dois senadores republicanos - Scott Brown, de Massachusetts, e Ron Johnson, de Wisconsin - disseram que Akin deve renunciar. Uma autoridade do Comitê Nacional Republicano para Campanhas para o Senado disse à agência Associated Press que US$ 5 milhões previstos para ser gastos em anúncios pró-Akin serão gastos de outra forma.

Os comentários foram criticados tanto pelo candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, quanto pelo candidato democrata e atual presidente, Barack Obama.

Com seu vice, Paul Ryan, Romney emitiu um comunicado esclarecendo que discorda da visão de Akin. "Uma administração Romney-Ryan não se oporia ao aborto em casos de estupro", afirmou um porta-voz do candidato republicano.

Obama disse que os comentários mostram porque políticos - a maioria homens - não devem tomar decisões sobre a saúde em nome das mulheres. "Estupro é estupro", afirmou. "E a ideia de diferenciar tipos de estupro não faz sentido para o povo americano e certamente não faz sentido para mim."

Para a rival democrata de Akin na corrida em Missouri, Claire McCaskill, as declarações foram "ofensivas". 

"Não dá para entender como alguém pode ser tão ignorante sobre o trauma físico e emocional de um estupro", disse McCaskill, acrescentando via Twitter que, enquanto ex-promotora pública, havia lidado com muitos casos de abuso sexual. "As ideias manifestadas por Todd Akin sobre o grave crime de estupro e o impacto desse crime sobre as vítimas são ofensivas."

Terry O'Neill, presidente da Organização Nacional para Mulheres, disse à rádio AP que a linguagem dos comentários tinha como objetivo "envergonhar as mulheres".

O deputado republicano é um dos mais radicais opositores ao aborto no Missouri. Em 2011, ele foi um dos promotores de um projeto de lei segundo o qual, dentre as mulheres grávidas como resultado de um estupro, só receberiam apoio público para abortos aquelas que tivessem passado por "estupros forçados". O termo desatou grande controvérsia e foi alterado.

Com AP e BBC

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