Chanceleres manifestaram solidariedade ao Equador e pediram aos países que continuem "o diálogo em busca de uma solução aceitável para os dois países"

Representantes da União de Nações Sul-americanas (Unasul) pediram neste domingo um diálogo para se chegar a uma solução para a crise entre Equador e Reino Unido, e apoiou Quito diante a eventualidade de uma invasão a sua embaixada em Londres para prender o fundador do site Wikileaks , Julian Assange .

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Os chanceleres da Argentina, Peru e Equador e o secretário-geral da Unasul, Alí Rodriguez (segundo da esquerda para a direita), na reunião da entidade
EFE
Os chanceleres da Argentina, Peru e Equador e o secretário-geral da Unasul, Alí Rodriguez (segundo da esquerda para a direita), na reunião da entidade


A declaração final do conselho de chanceleres da Unasul, realizado hoje em Guayaquil, começa manifestando solidariedade e respaldo ao país andino perante "a ameaça de violação do local e de sua missão diplomática". O conselho também pediu "às partes continuar o diálogo e a negociação direta em procura de uma solução aceitável para os dois países com regra no direito internacional".

Além disso, a declaração de Guayaquil reiterou o direito soberano dos Estados de conceder o asilo, condenou a ameaça do uso da força entre os estados e reiterou a plena vigência dos princípios consagrados no Direito Internacional, o respeito à soberania e o fiel cumprimento dos tratados internacionais.

Da mesma maneira, a Unasul reafirmou o princípio fundamental de inviolabilidade dos locais das missões diplomáticas, assim como o princípio de direito internacional em relação ao fato de "não poder usar o direito interno para não cumprir uma obrigação de caráter internacional".

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A reunião das autoridades diplomáticas da Unasul se somou à realizada ontem, também em Guayaquil, dos delegados da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba). Apesar de uma parte das deliberações na reunião extraordinária do Conselho de chanceleres da Unasul está sendo transmitida pela "Rádio Pública", parte do diálogo foi desenvolvido de modo privado.

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, fez referências a uma carta enviada pelo governo do Reino Unido a Quito e voltou a insistir que "um Estado soberano, digno e democrático" não pode aceitar esse tipo "ameaças claramente violatórias ao direito internacional".

Assange, fundador do WikiLeaks, faz 1ª pronunciamento da sacada da Embaixada do Equador em Londres
AP
Assange, fundador do WikiLeaks, faz 1ª pronunciamento da sacada da Embaixada do Equador em Londres

"Os tempos do colonialismo ficaram para trás. As normas internacionais de convivência obrigam todos os estados do mundo, independentemente de seu poder econômico, político e de seus arsenais nucleares a cumpri-las sem exceções", afirmou Patiño. "O direito internacional constitui a melhor garantia de convivência entre as nações, junto aos mecanismos jurídicos de solução pacífica", completou.

A reunião da Unasul ocorre três dias depois do Equador ter concedido asilo político a Assange, que se refugiou na embaixada equatoriana em Londres no último dia 19 de junho. Assange, um dos principais responsáveis pela divulgação de documentos e arquivos diplomáticos secretos através do Wikileaks, especialmente dos Estados Unidos, é requerido pela justiça sueca por causa de acusações de supostos delitos sexuais.

Patiño esclareceu que o Equador ,"nem antes e nem depois" da concessão do asilo, "teve a intenção de obstaculizar o processo jurídico aberto contra Assange na Suécia", lembrando que Quito ofereceu as facilidades para que as autoridades suecas interrogassem o fundador do Wikileaks em sua embaixada em Londres.

"O único propósito da ação do Equador é proteger a vida e integridade de um cidadão australiano que buscou asilo em nossa embaixada", apontou Patiño, que assinalou que o respaldo externo ao Equador não só afirma "que as ameaças a um país soberano não devem ser repetidas jamais, como também reafirma o direito de um Estado soberano de decidir sobre a concessão de um asilo diplomático".

"Hoje mais que nunca o Equador sente que não está só, que sua defesa dos princípios dos direitos humanos, em particular da liberdade de expressão, é uma causa comum entre os povos da América e do mundo, assim como dos Governos democráticos e livres que respeitam o direito internacional", completou. 

Em sua primeira aparição pública desde que solicitou o asilo, Assange pediu neste domingo para os EUA frear o que chamou de "caça às bruxas" contra o Wikileaks . Na ocasião, o ex-hacker se pronunciou em um palanque na embaixada do Equador. 

* Com AFP e EFE

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