Pole dance vira febre e ganha espaços públicos na Venezuela

Boom da prática que nasceu em clubes de striptease é criticada por mais conservadores, enquanto adeptas argumentam que prática não busca sensualizar, mas sim fazer acrobacias

AP |

AP

Crianças andavam de triciclos em um parque em Caracas, capital da Venezuela, enquanto algumas pessoas corriam em uma pequena pista de cooper e eventualmente paravam para observar a cena que se desdobrava pela manhã.

Saiba mais: Nos EUA, uma 'pole dance' excêntrica, em que as roupas permanecem

Também no parque, havia uma jovem de short curto e um top atlético se segurando em um poste enquanto fazia uma abertura de pernas sem sair do lugar.

A prática da pole dance pode até ter começado em clubes de striptease, mas desde os anos 90, tornou-se um exercício para todas as idades e um esporte bastante praticado ao redor do mundo. Agora, chegou às ruas e está presente em alguns parques na Venezuela, um país que é bastante preocupado com sua boa forma, seu culto à beleza e produz mais misses do que qualquer outro lugar, com exceção dos Estados Unidos.

O boom da pole dance soa até natural para um país que é obcecado pelo corpo. Mas sua recente aparição provocou polêmica entre alguns que disseram que tal comportamento deve permanecer longe do público em geral. Enquanto isso, o esporte foi destaque em um evento realizado em Londres no mês passado, antes dos Jogos Olímpicos, com um certo apoio para que fosse considerado como esporte oficial.

Elba Moya, uma enfermeira de 76 anos de idade em Caracas, disse que ela não concorda com a ideia. "Acredito que não é um espetáculo muito apropriado para crianças", disse ela. "Isso deve permanecer nas casas noturnas e em lugares adequados para esse tipo de dança."

Dançarinas como Franleska Garcia, uma gerente de negócios de 28 anos de idade, disse que elas esperam reverter tais atitudes em um país onde o conservadorismo social inspirado pela religião católica permanece vivo. "Nós queremos quebrar o tabu", disse Garcia. Pole dance "não é sensual. O que fazemos é exercício. É acrobacia."

Esporte

A Venezuela não está tão à frente assim em relação com a prática, que começou a crescer há quatro anos ao mesmo tempo em que entrou em voga em outros países latino-americanos, como Chile, Peru e Colômbia. Hoje, cerca de 10 academias e escolas na Venezuela oferecem aulas de pole dance.

Garcia e outras oito mulheres começaram o movimento de "street pole dance" cerca de três meses atrás, com suas performances, chamando a atenção da imprensa venezuelana e a desaprovação de alguns leitores, que publicaram comentários online criticando-as por se apresentar em público na frente das crianças.

Durante uma das sessões recentemente, o decorador de interiores Jesus Echevarria fez uma pausa para assistir ao mesmo tempo que cuidava de suas crianças que brincavam no parque. As raízes do esporte e o jeito como é apresentado fizeram com que ele não se surpreendesse com sua prática.

"Na primeira vez que as pessoas assistem a um esporte como esse, elas certamente ficam um pouco impressionadas", disse ele. "Mas depois acabam ficando maravilhadas com os movimentos".

*Por Fabiola Sanchez

    Leia tudo sobre: pole dancevenezueladançaacrobaciacaracas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG