Comissão independente afirma que medidas de segurança poderiam ter evitado explosão em Oslo e que ação policial mais rápida era possível na Ilha de Utoya

Um relatório divulgado nesta segunda-feira criticou a polícia da Noruega pela lenta resposta ao massacre de 22 de julho de 2012, reivindicado pelo extremista Anders Behring Breivik , que deixou 77 mortos .

De acordo com o relatório, feito por uma comissão independente, o primeiro atentado cometido por Breivik, uma explosão em frente a prédios do governo em Oslo , poderia ter sido evitado caso medidas de segurança já existentes tivessem sido implementadas com eficácia. Além disso, o relatório afirma que Breivik poderia ter sido preso mais cedo na Ilha de Utoya , onde matou 69 pessoas a tiros. "Uma ação policial mais rápida era possível. O agressor poderia ter sido detido antes", afirmou.

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Anders Behring Breivik, durante seu julgamento em Oslo (23/05)
AP
Anders Behring Breivik, durante seu julgamento em Oslo (23/05)

O relatório diz que não há evidências de que a agência de inteligência norueguesa poderia ter evitado os ataques, e elogia a comunicação do governo com o público no dia do massacre.

Em março, em um relatório de avaliação interno, a polícia da Noruega admitiu ter cometido erros. De acordo com o documento, os policiais demoraram a responder ao massacre na ilha e houve problemas na comunicação entre os diferentes setores policiais e com outras autoridades.

Também foram identificados problemas como o excesso de passageiros em uma lancha que levava uma equipe das forças especiais até a ilha. A embarcação naufragou no meio do caminho, obrigando as autoridades a usarem um barco particular.

“Me arrependo de não termos prendido o suspeito mais cedo”, afirmou, na época, o diretor da polícia de Olso, Oeystein Maeland. “Poderíamos ter sido mais rápidos? Sim. Se o barco não tivesse excesso de carga, teríamos chegado mais rápido. Nunca saberemos se o resultado teria sido melhor, mas é possível. E é duro pensar que vidas poderiam ter sido salvas.”

A polícia também foi criticada pela decisão de não usar um helicóptero e pelo fato de uma equipe policial que estava de férias só ter sido chamada após a prisão do extremista.

O julgamento de Breivik terminou em junho, com o extremista pedindo à corte em Oslo que o considere são e o absolva das acusações de terrorismo. Ele reiterou que as mortes foram necessárias para proteger a Noruega de se tornar um "inferno multiculturalista".

O veredicto e a sentença serão apresentados em 24 de agosto.

Com BBC e AP

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