Incêndios na Espanha deixam mortos e forçam retirada de moradores

Milhares tiveram de deixar regiões das Ilhas Canárias, castigadas pelo fogo que causou a morte de dois bombeiros

EFE | - Atualizada às

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Os bombeiros continuam a lutar contra o fogo nesta segunda-feira na Ilha de La Gomera, no arquipélago das Canárias, de onde milhares de pessoas tiveram de ser retiradas por causa do fogo, que causou a morte de dois bombeiros na Espanha.

Alerta: Espanha luta contra incêndios florestais

Após os incêndios que transformaram em cinzas milhares de hectares em todo o país no sábado e domingo, o fogo avançou na pequena ilha montanhosa de La Gomera, no Atlântico, onde uma parte do parque nacional de Garajonay, um santuário de espécies raras declarado patrimônio da Unesco, foi arrasada.

Reuters
Retirados por causa do fogo esperam no porto para serem retirados de La Gomera

Domingo à noite, cerca de 3 mil moradores de uma região acidentada do sudoeste da ilha foram retirados dos vilarejos invadidos pela fumaça e reagrupados na costa.

Por turnos e em barcos, único meio de deixar a região costeira, aproximadamente 900 pessoas conseguiram chegar a San Sebastián, principal localidade da ilha.

Segunda-feira foi a vez da população de Vallehermoso, no norte da ilha, deixar o local.

"O fogo entrou na ravina de Vallehermoso, que está na parte mais alta", explicou o prefeito de San Sebastáan, Angel Luis Castilla. Ele acrescentou ainda que 300 pessoas estavam sendo retiradas dessa área.

"Todo mundo recolheu suas coisas. A Guarda Civil chegou e disse para irmos para San Sebastián como precaução. Todo vilarejo está fugindo, de carro, ônibus, táxi", testemunhou Maria Gonzalez, 43 anos, que vive na vizinha Ilha Tenerife.

Maria veio com sua filha passar as férias na casa de sua mãe e todas as três deixaram o local de carro. "As pessoas estão muito nervosas, elas têm medo, a fumaça está chegando mais perto", acrescentou.

A partir da aldeia, em um calor sufocante, grossas colunas de fumaça podiam ser vistas nos relevos da parte central da ilha, onde se estende o parque Garajonay.

Em La Gomera a luta contra o fogo é particularmente difícil em áreas de barrancos que margeiam o parque, onde a fumaça corre entre os relevos como em chaminés.

Um pouco mais ao sul, a vila de Chipude, está vazia e imersa na fumaça. Perto dali, árvores e plantações estão carbonizadas.

Fauna

Dos cerca de 3,7 mil hectares de vegetação desta ilha atingida pelo fogo desde 4 de agosto, 800 foram destruídos no interior do parque, uma reserva de espécies naturais que abriga um conjunto de espécies da fauna protegido.

Enquanto a Espanha, atingida por uma seca sem precedentes em 70 anos, enfrenta incêndios devastadores, os locais protegidos são particularmente prejudicados. No fim de semana, centenas de hectares foram queimados no parque natural de Cabañeros, uma grande reserva para a fauna e a flora do centro do país.

A organização WWF Espanha também calculou que por volta de 65% dos incêndios listados como perigosos neste ano devastaram locais protegidos, atingindo mais de 500 hectares.

No sudeste, na região de Alicante, dois bombeiros morreram desde domingo na luta contra o fogo, e dois outros ficaram feridos.

As chamas que engoliram uma área arborizada de pinheiros adultos em Torre de Maçanes, desapareceram na segunda-feira, após destruírem 600 hectares, de acordo com autoridades locais.

Dez aviões e helicópteros foram mobilizados nesta segunda-feira para apoiar o trabalho dos bombeiros e evitar que o fogo se espalhe ainda mais com o vento.

Desde sexta-feira, vários incêndios irromperam em toda a Espanha, sob o efeito combinado da seca e da onda de calor, destruindo milhares de hectares.

Segundo o Ministério da Agricultura, 132.300 hectares de vegetação foram queimados entre 1º de janeiro e 5 de agosto. A destruição é considerada um desastre sem precedentes nos últimos dez anos.

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