Pais são condenados por morte de britânica 'vítima de crime de honra'

Segundo promotoria, Shafilea Ahmed, de origem paquistanesa, foi morta por ter 'hábitos ocidentais' e recusar casamento arranjado; casal negou envolvimento

iG São Paulo | - Atualizada às

BBC
A britânica de origem paquistanesa Shafilea Ahmed, morta aos 17 anos

A Justiça do Reino Unido condenou nesta sexta-feira um casal pelo assassinato em 2003 de sua filha de 17 anos, Shafilea Ahmed , uma britânica de origem paquistanesa que teria sido vítima de um 'crime de honra'.

Iftikhar Ahmed, 52 anos, e Farzana Ahmed, 49, foram condenados à prisão perpétua por um tribunal de Warrington, Chesire, no norte da Inglaterra, e terão de cumprir uma pena mínima de 25 anos. Eles negaram qualquer envolvimento na morte da filha.

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A causa apontada para o crime eram os hábitos ocidentais de Shafilea, que, segundo a Promotoria, envergonhavam a família: Iftikhar e Farzana queriam que a jovem aceitasse um casamento arranjado com um paquistanês, mas ela se recusava, queria namorar e se tornar uma advogada.

Durante a audiência desta sexta-feira, o juiz disse aos réus: “Sua preocupação com a possibilidade de envergonhar sua comunidade foi maior que seu amor por sua filha.”

Shafilea desapareceu em setembro de 2003, e seu corpo foi encontrado cinco meses depois em avançado estado de decomposição, em um rio localizado a 12 km de distância da casa da jovem. Os pais alegaram não saber de seu paradeiro.

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Durante o julgamento, o promotor Andrew Edis disse que a irmã mais nova de Shafilea, Alesha, viu os pais sufocarem a menina com uma sacola em sua boca. Depois, os viu com sacos e fita isolante, dando a entender que eles planejavam esconder o corpo.

A adolescente foi vista viva pela última vez em 11 de setembro de 2003, quando sua mãe a buscou na escola. Seu desaparecimento não foi reportado à polícia pelos pais, mas sim por uma professora de Shafilea, que teria ouvido falar que a irmã da jovem, Alesha, havia confessado a amigos que o crime fora cometido pelos pais.

Segundo a Promotoria, Alesha negou ter dito qualquer coisa e não falou sobre o ocorrido durante sete anos, até que foi presa por ter participado de um roubo à casa dos próprios pais. Na ocasião, ela teria confessado à polícia que seus pais "agiram em conjunto" para matar a irmã.

O júri do caso também ouviu da Promotoria que a polícia colocou escutas na casa da família Ahmed, após o desaparecimento de Alesha, e gravou Iftikhar falar a seus outros quatro filhos que eles "não deveriam comentar nada na escola, ou haveria problemas sérios".

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