Impacto das Olimpíadas no turismo decepciona londrinos

Ao contrário do que houve em Barcelona, em 1992, Londres não tira proveito do potencial do evento. E o Rio?

Gabriel Ferreira - Brasil Econômico |

A chegada de 100 mil turistas, como está previsto para os Jogos Olímpicos deste ano, é motivo suficiente para deixar donos de lojas, hotéis e restaurantes de qualquer cidade animados com as possibilidades de ganhos extra. O governo britânico projeta que Londres embolsará £ 2 bilhões, o equivalente a R$ 6 bilhões, por conta da competição.

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AP
Turistas observam Londres a partir de cabine da roda-gigante London Eye (02/08)


Um estudo da Associação Europeia dos Operadores de Turismo (ETOA, na sigla em inglês), porém, aponta que não há garantia de que os resultados sejam tão positivos. Segundo a associação, o aumento nos preços causado pelos Jogos e a possibilidade de multidões espantam os turistas que tradicionalmente visitariam a cidade caso não houvesse o evento. “O resultado disso pode ser uma triste combinação entre altas expectativas e baixa demanda”, afirma a ETOA no relatório.

No caso de Londres, a decepção parece aos poucos tomar conta da cidade. O movimento nos pontos turísticos e museus está entre 30% e 35% abaixo do normalmente é registrado nessa época do ano. Ao falar sobre isso, o jornal Financial Times afirmou que a capital inglesa havia se tornado uma “cidade fantasma” por conta dos Jogos.

Não que a cidade esteja de fato vazia. Pesquisa da STR, consultoria especializada no setor hoteleiro, aponta que a taxa de ocupação dos principais hotéis londrinos está em 84,4%, dentro do esperado. O problema, segundo a ETOA é que o turista olímpico apresenta comportamento diferente do tradicional, se concentrando mais nas disputadas do que nos outros aspectos propiciados pela cidade.

Barcelona ou Londres?

Nem sempre, porém, o impacto das Olimpíadas sobre o turismo é negativo. Exemplo disso foi o que aconteceu em Barcelona, que sediou os Jogos em 1992. A revitalização da cidade para os Jogos é sempre apontada como um case de sucesso e a fama conquistada naquele ano é atrai turistas até hoje.

É impossível saber de antemão se o Rio de Janeiro, em 2016, estará mais próximo de Londres ou de Barcelona. O que se sabe é que a época do ano em que acontece a competição deve influenciar. “É bom os Jogos acontecerem na baixa temporada de turismo da cidade, já que o Rio ainda tem uma grande defasagem no número de hotéis”, afirma André Weber, gerente-geral da Proske, empresa especializada na recepção de turistas corporativos em eventos esportivos.

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