Agência chinesa rebate comentário de Hillary em viagem à África

No Senegal, secretária de Estado disse que deve acabar a época em que estrangeiros levam a riqueza da África, o que Xinhua interpretou como indireta ao papel de Pequim no continente

iG São Paulo |

A agência de notícias estatal chinesa Xinhua (Nova China) manifestou-se na sexta-feira contra insinuações feitas pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que o governo chinês está apenas interessado na África por seus recursos naturais, acrescentando mais uma camada de tensão aos laços já estremecidos entre China e EUA.

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Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reúne-se com presidente do Sudão do Sul, Salva Kiir

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Falando do Senegal no início da semana, Hillary não identificou a China, mas disse que os EUA queriam uma "parceria que agregasse valor, em vez de extraí-lo", afirmando também que a época em que estrangeiros levam a riqueza da África para si deve acabar.

A agência Xinhua respondeu aos comentários de Hillary, dizendo que sua viagem à África era uma "trama para semear a discórdia entre a China e a África".

"Se Clinton estava ignorante dos fatos sobre o assunto ou escolheu não considerá-los, a sua insinuação de que a China tem extraído a riqueza da África para si é completamente desprovida de verdade", escreveu em um comentário em inglês.

"Ironicamente, foram as potências coloniais ocidentais que eram exatamente esses chamados estrangeiros, que, nas palavras de Clinton, vieram e extraíram a riqueza da África para si próprios, deixando nada ou muito pouco para trás."

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A viagem de Hillary parcialmente concentra-se em promover laços políticos e de comércio com as nações africanas como uma alternativa à China, cuja influência tem crescido rapidamente à medida que o governo chinês esforça-se para ganhar o acesso aos ricos depósitos de minérios, madeira e petróleo do continente.

O presidente chinês, Hu Jintao, ofereceu no mês passado US$ 20 bilhões em empréstimos para países africanos nos próximos três anos, alavancando uma relação que tem sido criticada pelo Ocidente e tem dado à China crescente influência no continente rico em recursos naturais.

"Assim como comentaristas por todo o mundo apontaram, a viagem tem como foco pelo menos em parte em tirar o crédito do engajamento da China com o continente e deter a influência da China lá. Seus comentários traíram a tentativa de colocar uma barreira entre a China e a África para os ganhos egoístas dos EUA", escreveu a agência.

Embora esses comentários não sejam declarações oficiais, podem ser lidas como uma reflexo do governo chinês que está pensando sobre questões importantes.

Giro pela África

Nesta sexta-feira, Hillary continuou seu giro africano com uma visita a a Juba, no Sudão do Sul, onde disse que o governo local e o do Sudão devem alcançar um compromisso urgente para resolver suas divergências, já que as duas nações recentemente separadas "continuam intrinsecamente ligadas".

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As duas partes, o Norte e o Sul, "precisarão assumir compromissos para acabar com as divergências" entre elas, disse Hillary de um encontro com o presidente Salva Kiir.

"É urgente que as duas partes, o Norte e o Sul, mantenham os esforços e alcancem oportunamente acordos sobre todos os temas pendentes, incluindo a distribuição pela exportação de petróleo, segurança, cidadania e demarcação de fronteiras", disse.

Hillary, a autoridade americana de mais alto escalão que visita o Sudão do Sul desde sua independência, no ano passado, destacou a preocupação do governo de Washington com as violentas disputas com o vizinho Sudão.

De acordo com a secretária de Estado, a mais jovem nação do mundo tem pela frente "significativos desafios" para superar, como "a persistente pobreza em uma terra rica em recursos naturais".

*Com Reuters e AFP

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