Lei expira e Exército de Israel tem um mês para começar a alistar ultraortodoxos

Barak instrui Forças Armadas a apresentar plano para implementar nova legislação que retira isenção do serviço militar a jovens da comunidade ultraortodoxa

iG São Paulo | - Atualizada às

O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, deu um mês para que o Exército do país comece a recrutar jovens ultraortodoxos, após a lei que os liberavam do serviço militar ter expirado nesta quarta-feira.

Em fevereiro, a Suprema Corte de Israel definiu que a Lei Tal, que isentava os ultraortodoxos do serviço militar era inconstitucional e que um novo texto tinha de ser rascunhado até o fim de julho. No entanto, os principais partidos do país não conseguiram chegar a um acordo.

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AP
Judeu ultraortodoxo usa binóculo durante celebração religiosa em Jerusalém (31/07)

Agora, o recrutamento passará a ser definido apenas por uma lei de 1949, alterada pela última vez em 1948, que define que todo israelense com mais de 18 anos entre para as Forças Armadas, salvo exceções específicas autorizadas pelo Ministério da Defesa.

Barak instruiu o Exército a apresentar uma “proposta prática” sobre como implementar a lei em um mês, de acordo com comunicado divulgado por seu gabinete. A proposta “refletirá e levará em consideração a decisão da Suprema Corte, os requisitos e valores do Exército, o princípio de dividir igualmente o serviço militar e a adequação individual ao serviço”, afirmou.

Essa proposta ficará em vigor até que o Parlamento chegue a um acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o Exército começará a ampliar a lista de recrutamento imediatamente. “Não há nenhum vácuo, existe uma lei”, afirmou. “Existe uma nova lei sobre serviço igual. O Exército decidirá quem convocar, quantos convocar, e assim será. Darei todo o meu apoio.

No mês passado, o partido centrista Kadima deixou a coalizão de governo liderada por Netanyahu após rejeitar a proposta do direitista Likud para substituir a Lei Tal. Partidos religiosos também ameaçaram abandonar a coalizão se a isenção a ultraortodoxos fosse retirada.

O general reformado Eliezer Stern, ex-comandante do Departamento de Pessoal do Exército, declarou à rádio pública que "ninguém deve esperar uma afluência em massa de jovens" desta comunidade aos escritórios de alistamento, e que, na prática, "as coisas seguirão como estão".

Um jovem ultra-ortodoxo que se apresentou hoje na principal base de recrutamento em Tel Hashomer, nos arredores de Tel Aviv, declarou à imprensa local que eventualmente a nova situação "levará as fileiras do Exército todos os jovens" de sua comunidade.

Identificado como Matán, o jovem disse que sua intenção era alistar-se independentemente do que ocorra com a polêmica lei e pediu a seus colegas de seminário que sigam seus passos. "É possível ir ao Exército e ao mesmo tempo estudar a Torá. Isso não serve como desculpa", esclareceu.

Com BBC e EFE

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