Em Israel, Panetta diz que opção militar deve ser último recurso contra o Irã

Ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que 'última decisão' sobre um eventual ataque contra o Irã será responsabilidade unicamente do governo israelense

iG São Paulo | - Atualizada às

Em visita a Israel, o secretário da Defesa americano, Leon Panetta, excluiu nesta quarta-feira o uso da opção militar como medida imediata contra as instalações nucleares iranianas.

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"Devemos esgotar todos os esforços antes de apelar para a opção militar", declarou Panetta em Ashkelon, sul de Israel, ao lado do ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, com que visitou uma instalação do sistema antimísseis Domo de Ferro, que tem financiamento dos Estados Unidos.

AP
Leon Panetta concede entrevista ao lado do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, em Ashkelon

Panetta enfatizou a importância das sanções econômicas e pressões exercidas por diversos países para que o Irã abandone seu programa nuclear.

De acordo com Panetta, o presidente americano, Barak Obama, deixou claro que impedir o Irã de ter armas nucleares é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e que, por isso, todas as opções estão sobre a mesa.

Por sua parte, Barak afirmou que a possibilidade de o Irã renunciar a seu programa nuclear é extremamente pequena e reafirmou que a "última decisão" sobre um eventual ataque israelense contra o Irã será responsabilidade unicamente do governo israelense.

Antes da reunião com Panetta em Tel Aviv, Barak havia diminuído a importância das divergências entre Israel e EUA sobre uma ação bélica contra o programa nuclear iraniano.

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"Há muitas coisas em comum na visão que Israel e EUA têm sobre a realidade, e temos muito a falar e a discutir, porque os problemas nos arredores são muitos e importantes", afirmou Barak, sem se referir explicitamente ao Irã.

Panetta, que chegou a Tel Aviv na tarde de terça-feira, começou sua agenda de trabalho com o ministro da Defesa israelense nesta quarta-feira. Ele também esteve com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e mais tarde se encontrá com o presidente Shimon Peres.

A ida de Panetta a Israel ocorre depois de o candidato republicano à Casa Branca, Mitt Romney , visitar o país , e causar polêmica ao falar sobre 'superioridade cultural' de Israel em relação aos vizinhos palestinos. 

A visita também foi precedida por um pronunciado debate em Israel sobre a conveniência de atacar as instalações nucleares do Irã sem o consentimento de Washington, ataque ao qual, segundo a imprensa local, se opõem os principais altos comandantes do Exército e dos serviços secretos.

Entrevista

Na noite de terça-feira, em entrevista a uma emissora israelense, Netanyahu assegurou que ainda não tomou uma decisão sobre o caso, mas que, como em qualquer democracia, em Israel "os políticos tomam as decisões e os militares se limitam a executa-las ".

Um comunicado das Forças Armadas americanas destacou que os temas relativos ao Irã centrarão a agenda do secretário de Defesa.

Nos últimos dias, a imprensa local assegurou que Panetta pedirá a Israel mais tempo, até um ano e meio, para obter uma solução negociada com o Irã, e que em suas reuniões exporá a Netanyahu e Barak os planos de guerra americanos para o caso de Teerã não aceitar as exigências internacionais.

As autoridades israelenses consideram que tanto as sanções como as negociações realizadas com o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais Alemanha) fracassaram e que o Irã não pôs limite a seu programa, como exige o Ocidente.

Egito

Antes de Israel, Panetta esteve no Egito, onde reiterou o apoio dos EUA à transição democrática no país e à estabilidade do aliado estratégico no plano militar.

O secretário americano de Defesa, Leon Panetta, reiterou nesta terça-feira o apoio dos Estados Unidos à transição democrática no Egito e à estabilidade deste aliado estratégico, em particular no plano militar.

"Os Estados Unidos apoiam uma transição para um sistema de governo democrático ordenado, pacífico e legítimo", declarou à imprensa, após uma reunião com o presidente islamita Mohamed Morsi e o marechal Hussein Tantawi, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), no Cairo.

A visita relâmpago de Panetta acontece após uma viagem ao Cairo da secretária de Estado americana , Hillary Clinton, há duas semanas, depois da eleição de Morsi à presidência em junho.

O chefe do Pentágono tentou minimizar as tensões entre os militares sob a liderança de Tantawi, um ex-membro do governo de Hosni Mubarak , derrubado no início de 2011, e Morsi , ex-membro da Irmandade Muçulmana e primeiro presidente egípcio a não ter ligações com o Exército.

O CSFA, que assumiu a liderança do país após a queda de Mubarak, entregou o poder Executivo para Morsi, mas atribuiu a si mesmo o poder Legislativo, depois da dissolução do Parlamento , dominado por islamitas.

*Com AFP e EFE

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