Rússia indicia blogueiro opositor por furto

Acusação, que havia sido descartada previamente por promotores regionais, ameaça com pena de até dez anos de prisão um dos mais inflamados adversários de Putin

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Investigadores russos indiciaram nesta terça-feira o blogueiro e líder oposicionista Alexei Navalny por suspeita de furto, ameaçando um dos mais inflamados adversários do presidente Vladimir Putin com uma pena de até dez anos de prisão.

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AP
Líder ativista russo Alexei Navalny deixa escritório da Comissão de Investigação Russa em Moscou

O Comitê Investigativo federal disse em nota que Navalny foi indiciado por suspeita de furtar madeira de uma estatal quando era consultor de um governo regional, em 2009. Ele foi proibido de deixar a Rússia. Previamente, o caso havia sido investigado e indeferido por promotores regionais.

Adversários de Putin dizem que o presidente tem perseguido a oposição desde que iniciou seu novo mandato de seis anos, em maio.

"Fui indiciado e recebi ordens de não sair (do país)", disse Navalny, de 36 anos, ao sair da sede do Comitê Investigativo, em Moscou. "Isso é realmente bem absurdo e bem estranho, porque eles já mudaram completamente a essência da acusação em comparação ao que era antes."

Advogados de Navalny disseram na sexta-feira que já esperavam seu indiciamento pelo caso na província de Kirov, após uma investigação iniciada em 2010. Mas eles esperavam que o ativista fosse indiciado por outra acusação, que acarreta pena de até cinco anos.

Navalny, que é advogado, disse pelo Twitter que pode ser condenado a até dez anos. Ele esteve entre os líderes dos grandes protestos contra Putin motivados por acusações de fraude numa eleição parlamentar de dezembro, vencida pelo partido governista Rússia Unida.

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Nos últimos meses, o governo sancionou uma lei que aumenta as multas para protestos não autorizados e reforça a fiscalização sobre campanhas e grupos de pressão financiados pelo exterior .

Navalny foi detido várias vezes por infrações administrativas relacionadas aos protestos, os quais às vezes reuniram mais de 100 mil manifestantes, abalando a autoridade e Putin. Mas até agora ele nunca havia sido indiciado por nenhum crime grave.

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