Palestinos criticam declaração de Romney sobre superioridade cultural de Israel

Candidato republicano disse que cultura era responsável pelo sucesso econômico de Israel em contraste com palestinos, que reagiram afirmando que comentário era 'racista'

iG São Paulo | - Atualizada às

O candidato presidencial republicano, Mitt Romney , causou mais mal-estar durante sua viagem ao exterior nesta segunda-feira, quando disse a doadores judeus que sua cultura era responsável pelo sucesso econômico de Israel em contraste com os vizinhos palestinos.

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Os palestinos reagiram com ultraje, notando que Romney ignorava a história de ocupação dos territórios palestinos por Israel e os restritos controles sobre o acesso e a movimentação dos residentes na Cisjordânia. Ele também não reconheceu o bloqueio econômico imposto por Israel sobre a Faixa de Gaza, que é controlada pelo grupo militante islâmico Hamas.

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O republicano Mitt Romney em discurso em Jerusalém (29/7)

No domingo, Romney já havia causado controvérsia ao dizer, em um discurso, que Jerusalém era capital de Israel , ignorando a reivindicação palestina de ter a parte oriental da cidade como capital de um eventual futuro Estado. Israel capturou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Como vários outros países, os EUA não reconhecem a incorporação e, por isso, localizam sua embaixada em Tel Aviv.

As declarações de Romney em Israel se dirigiam aos eleitores judeus nos EUA, onde uma pesquisa Gallup o mostrou em grande desvantagem na sexta-feira entre esse eleitorado. De acordo com o levantamento, o presidente Barack Obama tem uma vantagem de 68% a 25% em relação ao ex-governador de Massachusetts.

Israel foi a segunda de três paradas de uma viagem internacional para fortalecer as credenciais de política externa de Romney enquanto ele desafia Obama para uma eleição de novembro que continua centrada na crise econômica . O republicano será oficializado como candidato na convenção nacional do partido em Tampa, Flórida, no final de agosto.

Ao falar sobre a economia de Israel, Romney apontou para a cultura e para a "mão da providência". "Por exemplo, quando se vê o PIB per capita de Israel, que é de cerca de US$ 21 mil, e o comparamos com o PIB per capita das áreas gerenciadas pela Autoridade Palestina, que é de US$ 10 mil, nota-se uma diferença dramaticamente grande na vitalidade econômica", disse o candidato a cerca de 40 doadores ricos com quem tomou café da manhã no luxuoso King David Hotel.

Romney sentou-se perto de Sheldon Adelson, um bilionário proprietário de um cassino nos EUA e partidário profundamente comprometido com Israel que prometeu US$ 100 milhões para ajudar Romney a derrotar Obama.

A reação palestina às declarações de Romney foram rápidas e diretas. "É uma declaração racista, e esse homem não percebe que a economia palestina não pode alcançar seu potencial porque há uma ocupação israelense", disse Saeb Erekat, um assessor graduado do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

"Me parece que a esse homem faltam informação, conhecimento, visão e compreensão dessa região e de sua população", acrescentou Erekat. "Ele também desconhece os próprios israelenses. Nunca ouvi nenhuma autoridade israelense falar sobre superioridade cultural."

A disparidade econômica entre israelenses e palestinos é na verdade muito maior do que a descrita por Romney. Segundo o Banco Mundial, Israel teve um PIB per capita de cerca de US$ 31 mil em 2011, enquanto a Cisjordânia e a Faixa de Gaza de apenas US$ 1,5 mil.

"Suas declarações foram grosseiramente descaracterizadas", disse o porta-voz da campanha de Romney, Andrea Saul, posteriormente. A campanha argumenta que a comparação feita por Romney entre as disparidades de renda de países vizinhos, incluindo os EUA e o México, mostra que as declarações foram mais amplas do que apenas a comparação entre Israel e os palestinos.

Romney disse aos doadores que leu livros e contava com sua experiência empresarial para entender por que a diferença econômica é tão grande. "Quando olho para essa cidade e considero as conquistas da população desse país, reconheço o poder ao menos da cultura e de outras coisas", disse, citando um clima empresarial inovativo, a história judaica de evoluir em circunstâncias difíceis e a "mão da providência".

Romney não mencionou o fato de que Israel controla a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental desde sua captura na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Israel retirou-se de Gaza em 2005, mas continua a controlar o acesso e a impor um bloqueio desde que o Hamas assumiu o controle do território, em 2007.

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Candidato republicano, Mitt Romney, cumprimenta uma criança em frente da prefeitura de Gdansk, Polônia

Na Cisjordânia, Israel detém todo o controle, e os palestinos só têm autonomia limitada. Israel controla todos os postos de fronteira de dentro e fora do território. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional repetidamente disseram que a economia palestina só pode crescer se Israel levantar essas restrições.

Romney chegou a Israel depois de alguns dias difíceis no Reino Unido, onde cometeu o erro de criticar os preparativos do país sede das Olimpíadas . Depois dos dois países, Romney chegou nesta segunda-feira à Polônia, onde visitou o local dos primeiros disparos da Segunda Guerra (1939-1945) e prestou tributo ao movimento anticomunista do país.

*Com AP

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