Segundo Escritório Eleitoral, apenas 45,92% compareceram às urnas para votar sobre impeachment de líder suspenso

EFE

Traian Basescu, presidente suspenso da Romênia, conseguiu neste domingo manter-se no cargo pelo fato de não ter sido alcançada a participação necessária de 50% para validar o referendo que decidirá sobre sua deposição, segundo as primeiras estimativas.

Desespero: Condenado por corrupção, ex-premiê da Romênia tenta suicídio

Em Bucareste, presidente romeno suspenso, Traian Basescu, segura tocha enquanto fala ao final de referendo sobre impeachmet presidencial na Romênia
AP
Em Bucareste, presidente romeno suspenso, Traian Basescu, segura tocha enquanto fala ao final de referendo sobre impeachmet presidencial na Romênia

Emil Boc:  Premiê romeno renuncia após protestos contra governo

Mais de 86% dos romenos que votaram optaram pela destituição de Basescu, que não acontecerá já que apenas 45,92% dos eleitores compareceram às urnas, segundo o Escritório Eleitoral Central (BEC) em uma estimativa que não inclui os votos do exterior e as seções eleitorais móveis.

Confirmando-se esses dados, Basescu voltará ao palácio presidencial e poderia concluir seu segundo e último mandato, que termina em 2014. O resultado do referendo levará a Romênia a uma difícil situação política, pelo menos até as eleições legislativas de outono.

Basescu, de centro-direita, deverá conviver com o governo de social-democratas e liberais que lançou o frustrado processo de revogação do chefe de Estado. No poder desde maio, quando triunfou uma moção de censura contra o último governo conservador fiel a Basescu , o governo do social-democrata Victor Ponta viveu uma guerra aberta contra o presidente nos pouco mais de dois meses em que ambos coincidiram no poder.

A amarga disputa monopolizou a vida pública do país e culminou no procedimento de destituição de Basescu. O próprio presidente interpretou a participação insuficiente como uma demonstração da rejeição dos romenos pelo procedimento de destituição realizado contra ele pela maioria do governo.

Após a votação, Basescu disse que os romenos "rejeitaram o golpe de Estado" da maioria social-liberal que tentava derrubá-lo. O presidente foi suspenso de suas funções em 6 de julho, acusado de violações graves da Constituição, e seus aliados conservadores tinham convocado um boicote para que não fosse atingida a participação necessária na polêmica consulta.

O referendo foi acompanhado de perto pela Comissão Europeia, que criticou duramente a maneira pela qual o governo de Ponta procedeu para forçar a cassação de Basescu.

Bucareste: CIA mantinha prisão secreta na capital da Romênia, dizem jornais

O chefe de governo considerou o arrasador apoio dos eleitores à destituição de Basescu, promovido por sua coalizão, como uma legitimação do atual governo. "Qualquer político que possa ignorar a voz de 9 milhões de romenos está afastado da realidade", disse, em uma primeira reação.

O primeiro-ministro, pressionado também por um suposto escândalo de plágio de sua tese de doutorado, afirmou também que seu Executivo respeitará a decisão do Tribunal Constitucional da Romênia sobre a validade do referendo.

A corte estabeleceu a necessidade do quórum de participação, depois que o governo a eliminou em um polêmico decreto-lei que precisou ser retificado diante da decisão do tribunal e das exigências da Comissão Europeia.

O escritório eleitoral dará na segunda-feira o resultado final do referendo. Tudo indica que Basescu voltará à chefia do Estado de um país mais dividido e polarizado que nunca em torno dessa figura política forte e polêmica.

    Leia tudo sobre: impeachment
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.