Em Londres, Romney causa mal-estar ao pôr em dúvida organização de Olimpíadas

Em giro internacional que apresenta riscos e oportunidades, candidato republicano à presidência dos EUA fala sobre problemas 'desconcertantes' nos Jogos

iG São Paulo | - Atualizada às

O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney , deu início nesta quinta-feira a uma viagem por Inglaterra, Polônia e Israel com a qual pretende ganhar espaço no cenário internacional. Na primeira parada, Londres, Romney se reuniu com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pouco depois de ter levantado dúvidas sobre problemas organizacionais ‘desconcertantes’ nas Olimpíadas  durante uma entrevista à rede americana NBC News.

“As histórias sobre falta de pessoal nas empresas de segurança privada, a suposta greve dos funcionários de imigração e alfândega, tudo isso obviamente não é muito encorajador”, afirmou Romney, que foi responsável pelas Olimpíadas de Inverno de South Lake City, nos EUA, em 2002. “É difícil saber o que vai acontecer.”

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AP
O candidato republicano à presidência dos EUA, Mitt Romney, e o premiê britânico, David Cameron, durante reunião em Londres

Romney e Cameron tiveram uma reunião privada e, depois, diante da imprensa, Romney voltou a fazer comentários sobre as Olimpíadas. “É impossível não acontecer absolutamente nada de errado”, disse. “É claro que alguns erros vão acontecer às vezes, mas todos serão ofuscados pelas extraordinárias demonstrações de coragem, caráter e determinação dos atletas”.

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Em resposta, Cameron disse aos jornalistas que Romney e outras pessoas logo teriam a certeza de que “o Reino Unido consegue cumprir o que promete”. O premiê britânico já tinha encontrado o republicano quando ele fez uma visita a Londres em 2011.

Viagens ao exterior estão se tornando parte do processo eleitoral americano . Em 2008, tanto o democrata Barack Obama, atual presidente em busca de um novo mandato, quanto seu rival, o senador John McCain, visitaram outros países.

A viagem de Romney ao exterior apresenta tanto riscos quanto recompensas. Aqui estão alguns:

Recompensas

Concorrer contra um presidente na ativa é muitas vezes complicado, pois enquanto ele voa ao redor do mundo em seu avião Air Force One, o adversário se encontra tomando um café em uma pequena cidade do Estado de Ohio.

As viagens de Romney irão permitir que os eleitores o vejam diante de um palco muito maior, interagindo com líderes mundiais. É uma boa oportunidade para os americanos imaginarem como seria tê-lo como representante dos Estados Unidos para o mundo.

- Como ex-governador, Romney pode usar a viagem a seu favor para destacar suas posições quanto à política externa. Isso pode ser mais difícil de fazer nos Estados Unidos, onde os eleitores esperam um foco maior no emprego e na economia. Uma viagem ao exterior oferece uma desculpa para falar a respeito de qual é sua visão do papel que a América deverá exercer no mundo.

Em particular, Romney irá contrastar sua visão com a de Obama. A decisão de visitar Israel, onde o presidente não conseguiu avanços significativos no processo de paz, não foi tomada por acaso. Essa parada também vai permitir que Romney fale sobre a ansiedade existente em torno da Primavera Árabe . E a Polônia oferece uma oportunidade para falar sobre a relação dos Estados Unidos com a Rússia, um tema sobre o qual Romney foi crítico de Obama.

Os conselheiros de Romney estão cientes dos perigos políticos de criticar um presidente de fora do país. Mas, mesmo sem efetuar ataques explícitos, Romney pode solidificar sua opinião.

- Existe também outra recompensa: o dinheiro. A parada de Romney em Londres vai lhe dar uma oportunidade para explorar os bolsos de americanos ricos que vivem no exterior, como McCain e Obama também fizeram.

Riscos

- Romney irá sem dúvida ser pressionado para fornecer mais detalhes sobre suas posições a respeito da política externa durante sua viagem. Isso pode ser complicado para um candidato que passou sua vida pensando sobre questões de segurança nacional. Sua afirmação de que a Rússia é o “primeiro inimigo geopolítico do país" atraiu desdém de especialistas em política externa e até mesmo de alguns republicanos.

- O contraste com Obama não é necessariamente positivo. A ordem de ataque para matar Osama bin Laden e as decisões do presidente para terminar as guerras no Afeganistão e no Iraque têm sido amplamente apoiadas pela população americana. A viagem ao exterior de Romney poderia chamar atenção para esses sucessos.

Ao contrário de Obama, que visitou o Afeganistão e o Iraque quando candidato, Romney está evitando os dois países. Mas isso não faz com que ele não tenha que abordar a maneira na qual seu ponto de vista difere do ponto de vista do presidente sobre a retirada das tropas.

- Mudar o rumo da conversa para o tema da política externa também viola um dos próprios imperativos da campanha de Romney – o de se concentrar na economia doméstica. Ao viajar para o exterior, ele está essencialmente se distraindo de seu principal tema durante uma semana.

Romney, sem dúvida, irá falar sobre questões econômicas – sobre a política comercial e o sistema bancário global. Mas os americanos que perderam seu emprego ou que estão lutando com um pagamento de hipoteca provavelmente não irão ser confortados por Romney enquanto ele está no exterior.

- Enquanto isso, por sua vez, Obama estará sozinho para aproveitar as vantagens de estar em casa. O presidente está fazendo uma visita esta semana aos Estados de Nevada, Califórnia, Oregon e Washington. Ele também irá parar em Louisiana antes de voltar à Casa Branca.

Com AP, BBC e The New York Times

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