Ex-porta-voz de Cameron e ex-executiva de Murdoch são indiciados por grampos

Andy Coulson, Rebekah Brooks e mais seis são formalmente acusados por escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World

iG São Paulo | - Atualizada às

Autoridades britânicas indiciaram nesta terça-feira  Andy Coulson , ex-porta-voz do premiê britânico, David Cameron, e Rebekah Brooks , uma das mais fiéis aliadas do magnata Rupert Murdoch , por seu envolvimento no escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World .

Tanto Coulson como Rebekah foram editores do jornal, que monitorou os telefones de centenas de celebridades, políticos e cidadãos comuns. A procuradora Alison Levitt afirmou que “há evidências suficiente para uma condenação”.

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A ex-presidente-executiva da News International deixa corte em Londres após prestar depoimento sobre escândalo de escutas ilegais (maio/2012)

Além de Coulson e Rebekah, também foram indiciados cinco jornalistas - Stuart Kuttner, Greg Miskiw, Neville Thrulbeck, James Weatherup e Ian Edmondson – e o investigador Glenn Mulcaire, acusado de grampear os telefones de integrantes da família real britânica a serviço do News of the World.

Coulson, Rebekah e Kuttner foram acusados por acessar a caixa postal do telefone de Milly Dowler , uma adolescente de 13 anos cujo sequestro em 2002 chocou o país. A jovem foi encontrada morta e a revelação de que o News of the World grampeou seu telefone elevou o escândalo de escutas a novas proporções. Os três negaram envolvimento.

Miskiw e Weatherup foram acusados por interceptar mensagens dos atores Jude Law e Sadie Frost; Edmondson e Weatherup foram acusados por grampearem o telefone do cantor Paul MCartney, sua ex-mulher Heather Mills, e políticos como o ex-vice-premiê John Prescott; e Thurlbeck e Weatherup foram acusados por escutas nos telefones dos atores Brad Pitt e Angelina Jolie.

Rebekah Brooks já tinha sido acusada de tentar obstruir as investigações sobre o escândalo de escutas ilegais do jornal. Além de Rebekah, seu marido, Charlie Brooks, e outros quatro indivíduos também foram processados.

Rebekah, 43 anos, pediu demissão do cargo de chefe-executiva da News International, o braço europeu da News Corporation de Murdoch, em julho do ano passado, no auge das denúncias.

Coulson, por sua vez, enfrenta uma acusação de perjúrio no julgamento do ex-parlamentar escocês Tommy Sheridan, em mais um caso ligado ao escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide News of the World.

Em 2006, Sheridan ganhou um processo contra o News of the World, lançado após o jornal noticiar seu suposto envolvimento em um escândalo sexual. Em 2010, a Alta Corte de Glasgow determinou que ele tinha cometido perjúrio durante o processo contra o tabloide e o sentenciou a três anos.

Coulson era editor do jornal quando as notícias sobre Sheridan foram publicadas e trabalhava como porta-voz de Cameron testemunho no julgamento. Ele deixou seu posto no tabloide em 2007, depois de um repórter e um investigador serem presos acusados de grampear telefones.

Durante o julgamento de Sheridan, Coulson afirmou “não aceitar a afirmação de que havia uma cultura de escutas ilegais” e pagamentos de policiais em troca de informações no News of the World e insistiu que ordenava que seus repórteres trabalhassem de acordo com a lei. Tais afirmações foram questionadas após denúncias de que as escutas ilegais eram uma prática generalizada no tabloide, e após alegações – negadas por Coulson – de que ele aprovava e encorajava tais ações. Por causa das novas denúncias, o porta-voz renunciou ao cargo .

Com AP

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