Reforma política italiana preocupa ítalo-brasileiros envolvidos com pleito

Partido Socialista diz que proposta extingue cadeira de senadores eleitos no exterior. Baixo número de eleitores pode dificultar eleição para Câmara de candidatos residentes no Brasil

iG Brasília |

Cercada de incertezas, a reforma política da Itália tem gerado preocupação para cidadãos italianos residentes no Brasil que pretendem participar do pleito que acontece ano que vem. Atualmente em análise pelo parlamento italiano, a proposta do ministro Roberto Calderoli pode restringir o voto estrangeiro à eleição para deputados, eliminando assim as cadeiras para o Senado.

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O voto estrangeiro foi aprovado em 2001 por meio da Lei Tremaglia, de autoria do então ministro Mirko Tremaglia. A medida permitiu que cerca de três milhões de italianos residentes fora da Itália, sendo muitos filhos de imigrantes, fossem às urnas. A atual proposta de reforma tem como objetivo reduzir os gastos públicos com política, e inclui a elaboração de uma nova lei eleitoral e corte de cargos.

O Senado italiano é composto hoje por 315 parlamentares e a Câmara, por 630. A expectativa é que, se for aprovada pelo parlamento, o número de congressistas caia pela metade nas duas Casas, seguindo um critério de proporcionalidade dos 19 circunscrições eleitorais. A mudança também reverberara em outros países onde residem italianos e seus descendentes.

Menos senadores, mais deputados

Delegado do Partido Socialista para a América Latina, Rui Vicentini explica que a expectativa é que se elimine entre 12 senadores italianos eleitos por voto estrangeiro, sendo dois da América Latina. “Pela proposta também perdem direito a voto para o Senado italianos que moram no Leste Europeu, Estados Unidos e Austrália”, conta Vicentini, que mora em São Paulo e seria candidato a senador pela legenda.

“O motivo é econômico. Mas a centro-direita italiana, que lá é majoritária e ligada ao (ex-premiê) Silvio Berlusconi, é contra porque perde poder”, acrescenta. Por outro lado, ele assinala que a reforma deve elevar o número de deputados, podendo ir de cinco para oito na América Latina, que se somariam a outros dez eleitos em outros países. A eleição está prevista para acontecer em abril, e as chapas devem ser definidas até janeiro.

Vicentini ressalta que é baixo o registro de eleitores italianos que moram no Brasil, o que pode dificultar a eleição para a Câmara em comparação a países vizinhos. Segundo ele, no último pleito foram contabilizados 480 mil votos no Brasil e quase 700 mil na Argentina – o que equivaleria a mais de 70% do eleitorado sul americano, que inclui ainda Uruguai, Chile, Peru, Equador e Venezuela.

Um dos motivos apontados pelo dirigente socialista para essa diferença é a dificuldade de brasileiros obterem a dupla cidadania. “No Brasil existem 360 mil processos de pedidos de cidadania italiana parados nos consulados. Eles levam de oito a dez anos para serem reconhecidos. Ou seja, o cara morre e o pedido não é aprovado”, sublinha.

“Quem leva a melhor nessas eleições são os argentinos. Eles estão mais organizados, fazem recadastramento de todos seus eleitores uma vez por ano. Muita gente morre, muita gente entra. Nas últimas quatro eleições eles elegeram praticamente todos os congressistas. Aqui muitos sequer recebem cédula para votar”, afirma Vicentini.

O socialista atenta também para o baixo número de inscrições no processo eleitoral. Ele estima que hoje há no Brasil quatro milhões de ítalo-brasileiros com dupla cidadania – ou seja, quase 90% do eleitorado não exerce seu direito nas urnas. “Existem cerca de 23 milhões de italianos no Brasil. Imagine a influência disto na futura eleição presidencial? É o voto que não aparece, mas que poderia ser decisivo”, reforça.

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