Ataque no Colorado reacende debate sobre a política de armas nos EUA

Ataque durante sessão de cinema aumenta pressão sobre o presidente Barack Obama, que, segundo críticos, não tem lidado com a questão diretamente

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Um assassinato em massa em uma sessão na estreia do filme " Batman - o Cavaleiro das Trevas Ressurge ", na meia-noite desta sexta-feira nos Estados Unidos, aumentou a pressão sobre a política de armas do presidente americano, Barack Obama, questão crítica que, para muitos, tem sido ignorada.

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Ao menos 12 pessoas morreram quando um atirador abriu fogo em um cinema no Colorado. Esse foi o pior ataque nos EUA desde que um psiquiatra do Exército matou 13 soldados e civis na base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009. 

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Jacob Stevens, 18, abraça sua mãe Tammi Stevens depois de serem questionados pela polícia por ação de atirador em cinema de Denver

"Existem alguns atos que simplesmente fazem o povo americano parar e observar a violência armada e esse pode ser um deles", declarou Josh Sugarmann, diretor-executivo do Centro de Políticas de Violência, em Washington.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que é a favor de medidas de controle sobre a posse de armas, como uma investigação aprofundada sobre antecedentes, convidou Obama e seu adversário republicano, Mitt Romney, a conversar imediatamente sobre o tema.

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"Talvez este seja o momento em que duas pessoas que querem se tornar presidente dos Estados Unidos devem se impor e falar o que vão fazer sobre isso, porque esse é claramente um problema em todo o país", alegou.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, declarou que "o presidente acredita que precisamos adotar medidas em consenso que protejam os direitos garantidos aos americanos pela Segunda Emenda (de manter e portar armas) e garante que aqueles que não deveriam possuir armas sob as leis existentes não as têm".

"Estamos fazendo progresso a esse respeito em termos de melhorar o volume e a qualidade da informação sobre a verificação de antecedentes (de portadores de armas), mas não tenho nada além disso para dizer a vocês", declarou aos jornalistas.

O bem financiado lobby de armas americano, liderado pela Associação Nacional de Armas (NRA, na sigla em inglês), acusou Obama de usar o tratado das Nações Unidas como estratégia para limitar o direito constitucional dos americanos de terem quantas armas quiserem.

O Tratado sobre o Comércio de Armas, em debate em Nova York, espera organizar o comércio global de armas de pequeno porte, mas grupos americanos em defesa das armas argumentam que isso pode levar a grandes restrições ao porte doméstico de armas.

Os partidários de um maior controle, por outro lado, não ficaram menos desapontados com o histórico de Obama em relação à questão, com a Campanha Brady de Prevenção à Violência Armada dando a ele uma "nota 0" no quesito.

De acordo com estatísticas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de 100 mil pessoas são baleadas por ano nos Estados Unidos, incluindo crianças. Mais de 31,5 mil morrem em decorrência da violência armada todos os anos.

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"Estamos muito decepcionados com as ações do presidente em relação à problemática das armas", considera Sugarmann, que defende o banimento da venda de revólveres e armas de pequeno porte. "Esperamos que ele faça algo além da compaixão (pelas vítimas do Colorado)", acrescentou.

Sugarmann pensa que o massacre do Colorado pode favorecer um debate sobre como elevar a segurança em cinemas, assim como em colégios. Em 1999, uma matança em um colégio em Columbine em abril de 1999 levou outras escolas a instalarem detectores de metais.

"O mais angustiante é que ninguém se volta para o passado e diz: 'Qual é o ponto em comum que deveríamos olhar?' A disponibilidade e o tipo de armas à venda no país", explica.

A cidade de Columbine fica localizada a menos de 30 km de Aurora, onde ocorreu o massacre desta sexta-feira.

O pesadelo em Columbine - no qual dois estudantes mataram outros 12 alunos e um professor antes de se suicidar - foi o ponto central do documentário de Michael Moore que venceu um Oscar em 2002 com "Tiros em Columbine".

"Estou muito triste no momento para comentar", postou Moore, um duro crítico à cultura de armas no país, em sua página no Twitter.

Comprar uma arma é uma tarefa fácil na maioria dos Estados americanos. Na Virgínia, por exemplo, rifles e espingardas podem ser facilmente adquiridos por qualquer um acima de 18 anos. Para pistolas, a idade mínima é de 21, desde que não seja um imigrante ilegal e não tenha antecedentes criminais.

"Com a exceção de metralhadoras, armas de fogo não têm registro na Virgínia," informa o site da polícia estadual da Virgínia.

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