Líder norte-coreano é nomeado 'marechal' e consolida poder sobre Exército

Promoção para título antes concedido somente a seu pai e avô é feita após anúncio de várias mudanças na liderança das Forças Armadas

iG São Paulo | - Atualizada às

A Coreia do Norte anunciou nesta quarta-feira que o líder do país, Kim Jong-un , foi nomeado "marechal" do Exército Popular, principal patente militar norte-coreana, consolidando seu poder sobre o isolado e miserável país, cujas Forças Armadas têm 1,2 milhão de integrantes (o quarto maior no mundo).

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"Foi tomada a decisão de conceder o título de 'Marechal da República Popular Democrática da Coreia' a Kim Jong-un", informou a agência estatal do regime comunista, a KCNA.

Com estimados menos de 30 anos, Kim Jong-un, que já ostentava o cargo de " comandante supremo " do Exército, teve uma ascensão fulgurante desde a morte de seu pai , o "querido líder" Kim Jong-il , em dezembro. As duas únicas pessoas que receberam antes o título de marechal são o avô de Kim Jong-un, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte que dirigiu o país até sua morte, em 1994, e seu pai, que liderou o país de 1994 a 2011.

"Ao se vestir como os Kims anteriores, Jong-un se projeta como o sucessor legítimo do trono e reforça seu controle do poder", declarou o professor Kim Yong-Hyon, da universidade Dongguk.

A promoção é feita depois do anúncio de várias mudanças na liderança do Exército. Na segunda-feira, Pyongyang anunciou a saída de Ri Yong-ho , considerado uma das figuras-chave do regime e que nos últimos meses estava, frequentemente, junto ao novo líder.

Ri foi afastado de todas as suas funções, entre elas a de comandante das Forças Armadas "por razões de saúde". Ele foi sucedido pelo general Hyon Yong-chol , um militar com experiência de campo, mas praticamente desconhecido no exterior. Hyon foi confirmado no cargo de vice-marechal nesta quarta-feira. 

Os incomuns anúncios públicos de mudança em um dos países mais secretos e mais fechados do mundo, indicam, segundo os especialistas, que Kim Jong-un reforça seu controle militar. O jovem líder destituiu vários militares de alto escalão da geração de seu pai, entre os quais o ex-ministro das Forças Armadas Kim Yong-chun e o chefe dos serviços secretos U Dong-chuk.

Sob a liderança de Kim Jong-il, que promovia a doutrina de "Songun" ("o Exército primeiro"), os militares aumentaram ainda mais seu poder. O Exército está presente na agricultura, na pesca, nos projetos de construção, e controla, sobretudo, a maioria do comércio norte-coreano, estimado em US$ 6,3 bilhões para 2011.

"Houve tentativas recentes de retomar os setores mais rentáveis das mãos dos militares e de colocá-los sob o controle do governo", indicou uma autoridade do ministério sul-coreano das Relações Exteriores. "Um verdadeiro controle sobre as Forças Armadas é crucial nos esforços do Norte para melhorar os meios de subsistência da população", disse esse funcionário ao jornal sul-coreano Joongang Daily.

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A China, única aliada relevante da Coreia do Norte, evitou uma congratulação ostensiva a Jong-un pela nova patente. "China e Coreia do Norte são vizinhas amistosas, e desejamos um suave desenvolvimento de todas as tarefas na Coreia do Norte sob a liderança do camarada Kim Jong-un e do Partido dos Trabalhadores da Coreia", disse nota da chancelaria chinesa.

Além de reforçar seu poder junto aos militares, Kim Jong-un vem se esforçando para transmitir uma imagem menos sisuda do que seu pai. Após o final do período de luto oficial, ele já foi mostrado na imprensa estatal rindo com encarquilhados generais, gesticulando com satisfação num desfile militar e, para surpresa de muitos, falando em público. A maioria dos norte-coreanos nunca ouviu a voz do pai dele.

Num fim de semana, ele apareceu em um show musical ao lado de uma jovem misteriosa , e aplaudiu com entusiasmo a apresentação de canções de rock.

*Com EFE, AFP e Reuters

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