Kadima deixa coalizão de premiê de Israel por disputa sobre lei de alistamento

Saída de partido de governo de unidade nacional ocorre após discordâncias sobre como alistar mais judeus ultraortodoxos e cidadãos árabes nos serviços militar e civil

iG São Paulo | - Atualizada às

AP
O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o líder do Kadima, Shaul Mofaz, no dia do anúncio da coalizão (08/05)

O governo de unidade nacional formado há pouco mais de dois meses em Israel perdeu nesta terça-feira o centrista Partido Kadima, cujo líder e atual vice-premiê de Israel, Shaul Mofaz, anunciou que a legenda se retirava do governo por causa de uma disputa sobre a reforma do alistamento universal com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

A decisão do Kadima deixa a mais ampla coalizão  do país em anos repentinamente fragilizada, mas o governo não deve cair porque ainda tem a maioria no Parlamento. Yoel Hasson, legislador do Kadima, que é o maior partido do Parlamento de Israel (com 28 dos 120 assentos), confirmou a saída afirmando que os membros da legenda votaram 25 a 3 nesta terça-feira para deixar a coalizão.

Relembre: Premiê de Israel forma coalizão com o Kadima, principal partido de oposição

O site de notícias Ynet.com citou Mofaz dizendo a membros do partido em uma sessão a portas fechadas: “É com grande infelicidade que digo que não houve escolha a não ser decidir deixar o governo." Previamente, o Kadima divulgou um comunicado anunciando que "negociações entre o Kadima e o Likud (partido de Netanyahu) sobre a distribuição igualitária da carga (do alistamento) fracassaram".

A ampla coalizão, que deu a Netanyahu uma supermaioria de 94 dos 120 membros do Parlamento e levou a Revista Time a apelidá-lo de “Rei de Israel”, estava em conflito havia semanas sobre a questão de como alistar mais judeus ultraortodoxos e cidadãos árabes nos serviços militar e civil.

Mofaz fez com que o partido entrasse na coalizão há pouco mais de dois meses para trabalhar com Netanyahu para pôr fim às exceções automáticas de alistamento para estudantes judeus de seminários ultraortodoxos.

O serviço militar é uma questão bastante polêmica em Israel, onde a maioria dos homens e mulheres começa dois ou três anos de serviço militar aos 18 anos e muitos são convocados para ficar na reserva até a faixa dos 40 anos. Muitos judeus ortodoxos são dispensados para que possam prosseguir com os estudos religiosos, desagradando à maioria da população, que é mais secular.

Em fevereiro, a Suprema Corte declarou inconstitucional a norma que eximia os ultraortodoxos e estabeleceu um prazo até 1º de agosto para que ela expire, o que obrigou o governo a buscar alternativas. Netanyahu, atado por sua proximidade com os partidos religiosos, propunha uma lei mais leve que permitisse aos ultraortodoxos não se incorporar ao Exército até os 23 anos, enquanto o Kadima exigia que servissem, como os demais, aos 18 anos.

Alistamento: Debate sobre serviço militar esbarra na identidade nacional de Israel

"Não foi fácil entrar (na coalizão liderada pelo primeiro- ministro israelense, Benjamin Netanyahu), paguei um preço político pessoal, mas esse assunto é fundamental e não há outra opção a não ser abandonar a coalizão. Qualquer concessão danificaria a imagem do Kadima", disse Mofaz.

A saída do Kadima do Executivo poderia precipitar eleições gerais em Israel. Netanyahu tinha pedido em maio eleições antecipadas e enviado ao Parlamento a lei que convocava a votação para 4 de setembro, mas a iniciativa foi suspensa na Câmara após o anúncio surpresa do pacto com o Kadima.

*Com AP, New York Times, EFE e Reuters

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