Americano é recordista mundial em quebrar recordes

Com muita meditação, Ashrita Furman bateu 418 recordes na vida, dos quais 152 ainda não foram superados por outros e 131 são reconhecidos simultaneamente pelo Guinness

Carolina Cimenti - Nova York |

Arquivo pessoal
Ashrita Furman na Ilha de páscoa, quebrando o recorde de saltar num monopé enquanto faz malabarismo com bolas

Ele não é um milionário excêntrico, não tem um time de assessores que prepara suas viagens e treinamentos, não é um atleta e tem um trabalho fixo como sócio de uma loja de suplementos alimentares e comidas saudáveis no bairro do Queens, em Nova York. Na aparência, ele é uma pessoa relativamente normal. Mesmo assim, Ashrita Furman, de 57 anos, conquistou 418 recordes em sua vida e, a cada mês, aumenta esse número.

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Pelo menos 152 desses recordes ainda não foram quebrados por outras pessoas. Um deles é o de ter batido mais recordes no mundo. Outro é o de ser o maior detentor de recordes simultaneamente (131 reconhecidos pelo livro Guinness).

Em 4 de julho, Ashrita atingiu mais uma conquista, correndo uma meia maratona saltitando (como fazem as crianças quando estão felizes). “Foi muito divertido. Enquanto os outros corriam normalmente, eu saltitava com um juiz do Guinness andando de bicicleta ao meu lado, para ter certeza de que eu não correria, somente saltitaria, o tempo todo. Várias crianças gritavam e sorriam quando eu passava, e os adultos pareciam incrédulos”, disse Ashrita ao iG  enquanto se preparava para o próximo desafio.

O próximo recorde que ele quer quebrar é correr uma meia maratona carregando uma bolsa com tacos de golfe nas costas. “Parece uma ideia absurda, não é? Mas foi o Guinness que criou essa categoria, e até agora ninguém a completou ainda, então acho que tenho grandes chances”, disse o recordista.

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Ashrita é um dos milhares de adeptos, devotos ou, como alguns preferem chamar, viciados em “Guinnessport”, o jogo de quem quebra mais recordes no mundo. Ele já chegou a bater 51 recordes em um só ano. Além de se exercitar e treinar para alcançar cada uma de suas metas, Ashrita também usa a brincadeira para viajar pelo mundo todo e conhecer animais exóticos.

“Poderia quebrar todos os meus recordes, ou grande parte deles, no Queens, nas redondezas da minha casa. Mas qual é a graça? O grande fascínio que o livro dos recordes exerce sobre as pessoas é o fato de trazer informações do mundo inteiro, então sempre tento escolher cenários diferentes e, se possível, agregar animais às minhas provas”, explicou Ashrita, que já quebrou recordes enquanto corria lado a lado com um chimpanzé, um tigre e até mesmo, na categoria de corrida do saco, com um iaque, uma espécie de bovino peludo que só encontrado na Mongólia.

Em março deste ano, Ashrita realizou uma de suas provas preferidas: pular corda embaixo d’água (a corda é revestida com cabos de aço para que não se feche durante os movimentos) em um aquário de São Paulo. Ele aumentou seu próprio recorde de 900 pulos por hora para 1.508, mas ainda espera o Guinness reconhecer oficialmente a façanha. “No aquário havia um peixe-boi, e queria realizar a prova com ele por perto, mas o animal era muito afetuoso e tentava me abraçar o tempo todo, então tivemos de tirá-lo do aquário para que eu realizasse a prova”, diverte-se o recordista.

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Quando questionado por que envolve animais nas provas, Ashrita ri: “Simplesmente porque é mais divertido assim. Quero que as pessoas se divirtam comigo, quero fazê-las sorrir. Com a ajuda de um peixe-boi ou de um chimpanzé é muito mais fácil.”

O início de tudo

Desde criança, Ashrita sempre foi fascinado pelo livro dos recordes e pela quantidade de coisas absurdas que as pessoas faziam para serem listadas nas suas páginas. Mas somente aos 16 anos, quando passou a seguir um sábio indiano radicado em Nova York chamado Sri Chinmoy, que Ashrita entendeu que desafiar recordes não era algo impossível.

Arquivo pessoal
Mais rápidos 100 metros percorridos com a Kangoroo Ball (30 segundos) - na Muralha da China

Chinmoy acreditava que exercícios físicos extremos ajudavam na meditação e na busca por Deus. Dez dias depois que Ashrita o conheceu, Chinmoy encorajou seus seguidores, uma centena de pessoas, a participar de uma corrida de bicicleta de 24 horas no Central Park, em Manhattan. Ashrita, que não havia treinado nem tinha uma bicicleta na época, decidiu comprar uma e tentar.

Mesmo sem treinamento, e simplesmente seguindo as instruções de seu mestre de meditar o tempo todo, ele conseguiu conquistar o terceiro lugar, tendo percorrido 651 km em 24 horas. “Foi ali que entendi que somos capazes de fazer qualquer coisa. Desde que a gente tente, medite e se esforce, não tem nada que não possamos fazer”, disse Ashrita.

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Entre todos os seus recordes, o seu preferido é aquele que foi mais difícil de conquistar: 19,66 km de cambalhotas feitas em 1986, a maior distância jamais atingida por um ser humano. A proeza levou mais de 12 horas, e metade do tempo foi acompanhada de náuseas e vômitos. Ashrita havia comido três pedaços de pizza na noite anterior e, no momento de começar a prova, deu-se conta de que não as havia digerido.

“Cheguei a pensar em desistir, mas aí eu me concentrei em algumas palavras, uma espécie de mantra que criei naquele momento, dizendo ‘eu não sou o corpo, eu sou a alma’, e consegui terminar a prova”, explicou. “Foi como se realmente tivesse tido uma iluminação. Você acalma a mente e entra em contato com essa capacidade ilimitada de fazer as coisas, daí você pode fazer tudo!”

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A energia de Ashrita é contagiante. Ele ri o tempo todo e se mostra aberto às perguntas ao mesmo tempo em que continua centrado em se preparar para os próximos desafios. Como você celebra a vitória de um recorde quebrado?

“Penso imediatamente no próximo a ser realizado. Me preparo e penso tanto tempo em cada um deles que, quando atinjo o objetivo, é como se me desse um certo vazio. Por isso sempre estou planejando sete ou oito recordes ao mesmo tempo.” E como lida com a frustração de uma derrota?

“As falhas fazem parte da jornada em direção ao acerto. É um processo, é o progresso nas tentativas que contam, não a vitória final.”

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Equilibrando 223 caixas de charuto sobre o queixo

Ashrita não tem patrocinadores nem aceita lucrar a cada recorde batido porque seu mestre o ensinou que, se ele ama fazer o que faz, deve manter essa atividade pura. O recordista também não quer que as pessoas pensem que ele só se esforça para conquistar recordes pelo dinheiro.

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“Me divirto fazendo isso, e quero que as pessoas ao meu redor se divirtam também. Isso é mais do que qualquer pagamento possa me dar”, filosofa o mais rápido corredor de saco, usuário de bambolê gigante, pulador de corda embaixo d’água do mundo e assim por diante...

Os 10 recordes mais curiosos de Ashrita (lista completa em http://www.ashrita.com/records ):

- maior distância percorrida por um homem com uma garrafa de leite sobre a cabeça (130 km);

- pular corda debaixo d’água (900 pulos por hora, aguardando que seu novo número, 1.508, seja oficializado pelo grupo Guinness);

- correr girando um bambolê na cintura (o mais rápido a percorrer 10 km em 1h25min);

- maior escultura de pipoca do mundo (6,35 metros);

- maior número de caixas de charuto equilibradas sobre o queixo (223);

- maior número de M&Ms comidos com os olhos vendados e usando hashi, os pauzinhos japoneses (20 M&Ms em um minuto);

- corrida usando pés de pato enquanto faz malabarismo com três bolas no ar (5 km em 32 minutos e 3 segundos);

- captura de pipocas no ar enquanto estouram (34 pipocas em um minuto);

- tortas na cara (56 tortas na sua cara em um minuto);

- corrida segurando na boca uma colher de sopa com um ovo dentro (100 metros em 25 segundos)

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