Em possível expurgo, Coreia do Norte afasta chefe militar

Afastamento de Ri Yong-ho, general da cúpula do poder, pode indicar que sucessor de Kim Jong-il esteja buscando reforçar seu controle sobre o país

iG São Paulo | - Atualizada às

O regime comunista norte-coreano anunciou nesta segunda-feira inesperadamente o afastamento do principal chefe militar do país, Ri Yong-ho, um general da cúpula do poder num possível prenúncio de um expurgo para que o governante Kim Jong-un reforce seu controle sobre o misterioso Estado.

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AP
Líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un (D), é visto com vice-presidente da Comissão Militar Central, Choe Ryong-hae (C) e o ex-chefe do Estado Maior Conjunto Ri Yong-ho em Pyongyang (15/04)

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Kim, que tem menos de 30 anos, ascendeu ao poder em dezembro , após a morte do seu pai, Kim Jong-il . Na semana passada, ele surpreendeu observadores ao aparecer na TV na companhia de uma jovem desconhecida , aplaudindo animadamente um show com cantoras em trajes insinuantes e personagens da Disney .

Na segunda-feira, a agência estatal de notícias KCNA informou que o vice-marechal Ri, que era considerado muito próximo de Kim Jong-il, foi afastado de todos os seus cargos no Partido dos Trabalhadores da Coreia (comunista), inclusive da sua poderosa posição como chefe do Estado Maior Conjunto.

Ri é considerado um dos personagens-chave que apoiaram o jovem líder no período de transição do poder na Coreia do Norte. Ele foi um dos sete dirigentes superiores do partido que acompanharam Kim Jong-un ao lado do carro fúnebre de seu pai.

A agência disse que o afastamento se deveu a razões de saúde - justificativa habitual quando há demissões no alto escalão do regime. Os arquivos do governo sul-coreano indicam que Ri tem 70 anos.

“"Essa é uma manobra repentina, que poderia ser chamada de expurgo", disse Cho Min, do Instituto para a Unificação Nacional, com sede na Coreia do Sul.

Ri não demonstrava sinais de saúde abalada quando foi visto há uma semana na companhia de Kim e de outros militares visitando um memorial em homenagem ao fundador do regime e avô do atual governante, Kim Il-sung, em Pyongyang.

A breve nota da KCNA não deixa claro se Ri, que também é chefe do Estado-Maior, foi afastado das suas funções militares. Ressaltando que se trata de uma especulação, Cho disse que Ri "pode ter tentando firmar sua própria posição, o que pode ter desagradado Jang Song-thaek e Choe Ryong-hae".

Jang, tio e assessor do jovem líder, é apontado como o verdadeiro detentor do poder no país. Choe é um funcionário partidário que tem assumido um papel cada vez mais poderoso no aparato político das Forças Armadas, num país onde a doutrina oficial prevê que os militares têm prioridade sobre todo o resto.

Detenção de sabotadores

Também nesta segunda-feira, a Coreia do Norte informou ter detido um grupo de "sabotadores" supostamente recrutados por Coreia do Sul e EUA para destruir as principais estátuas e monumentos do país comunista.

As pessoas que "se infiltraram e tentaram destruir as estátuas e monumentos sob ordens dos governos de Coreia do Sul e EUA foram localizadas e detidas há poucos dias", segundo nota assinada pelo Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, de Pyongyang, e divulgada pela agência estatal norte-coreana KCNA.

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O comitê informou que os capturados confessaram ter recebido dinheiro de Seul e Washington para participar dos supostos "atos terroristas" e "atividades subversivas e de sabotagem".

"Aqueles que tentarem prejudicar a dignidade" do país "não poderão evitar um castigo severo", diz o comunicado, que classifica o caso como "terrorismo de grandes proporções" e "uma flagrante violação do direito internacional".

A Coreia do Norte responderá seriamente, advertiu o Comitê, se os EUA e a Coreia do Sul continuarem a promover esse tipo de ataque, supostamente dirigido a algumas das várias
estátuas dedicadas à família Kim, que governa o país desde sua fundação, em 1948.

Por sua vez, um porta-voz de um grupo que apoia os refugiados norte-coreanos no Sul opinou, em entrevista à agência sul-coreana Yonhap, que dissidentes internos do regime norte-coreano podem ter cometido os supostos ataques. "Ouvi que alguns soldados da norte-coreanos que desertaram planejaram a demolição de uma estátua de Kim Il-sung", disse a fonte.

Já o governo da Coreia do Sul interpretou as acusações do país vizinho como um reflexo da instabilidade interna do regime comunista.

*Com Reuters, AFP e EFE

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