Romney é vaiado durante discurso para eleitores negros

Na maior organização negra dos EUA, republicano é vaiado ao dizer que seria melhor presidente que Obama para afro-americanos e quando prometeu revogar reforma da saúde

iG São Paulo | - Atualizada às

O candidato republicano, Mitt Romney , declarou nesta quarta-feira que faria mais pelos afro-americanos do que o presidente dos EUA, Barack Obama, e membros da mais antiga organização de direitos civis americana vaiaram em resposta.

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Participantes de convenção anual de maior organização negra dos EUA escutam discurso do republicano Mitt Romney em Houston, Texas

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"Se vocês quiserem um presidente que fará as coisas melhorarem para a comunidade afro-americano, vocês estão olhando para ele", disse Romney para a convenção anucla da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). Fazendo uma pausa enquanto alguns na multidão o vaiavam, ele acrescentou: "Podem olhar!"

"Sério?!?!", gritou alguém na plateia.

A recepção foi geralmente educada enquanto Romney tentava conquistar um bloco democrata que votou pesadamente em Obama há quatro ano e certamente fará o mesmo na disputa acirrada de novembro. Romney também foi vaiado quando prometeu rejeitar a reforma do sistema de saúde de Obama, e a multidão o interrompeu quando ele acusou o líder americano de fracassar em realizar uma recuperação econômica mais robusta.

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O multimilionário, que enfrentará o primeiro presidente negro da história dos EUA nas eleições presidenciais do dia 6 de novembro, foi vaiado por cerca de 25 segundos pela NAACP.

Romney, que detalhava seu programa, acabava de dizer: "Vou eliminar todos os dispositivos caros e não essenciais que possa encontrar, o que inclui a 'ObamaCare'" , apelido pelo qual ficou conhecida a lei da saúde de Obama.

Essa foi a plateia mais hostil desde o início da campanha de Romney, que discursou até esse momento para audiências favoráveis. Os eleitores negros defendem a reforma da saúde, que prevê estender a cobertura da saúde para 32 milhões de americanos menos favorecidos.

A reforma, promulgada em 2010, recebeu no final de junho o sinal verde da Suprema Corte americana. Ao comentar a decisão do Supremo, Romney considerou que a única maneira de revogar a reforma da saúde será vencer Obama em novembro.

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Ele assegurou que, se eleito, abolirá a lei em seu primeiro dia na Casa Branca. Obama não tem planos de participar da convenção da NAACP, que é realizada em Houston, Texas (sul), entre 7 e 12 de julho, mas enviou seu vice-presidente, Joe Biden, e seu ministro da Justiça, Eric Holder.

Durante a campanha presidencial de 2008, Obama e seu rival na época, John McCain, tomaram a palavra diante dessa organização fundada em 1909. Obama também participou da mesma convenção no ano seguinte como presidente.

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AFP
Candidato presidencial republicano, Mitt Romney, discursa perante maior organização de negros dos EUA em Houston, Texas

Para Romney, conquistar pelo menos uma parte do eleitorado negro pode ser crucial para vencer em Estados estratégicos, como a Carolina do Norte (sudeste). "Se não acreditasse que a minha política pudesse ajudar as famílias de cor - de todas as cores - não seria candidato à presidência", afirmou em seu discurso.

Romney reconheceu que as dificuldades econômicas afetam mais os negros nos EUA. "É pior para os afro-americanos em todos os níveis", disse. "Estou concorrendo para presidente porque sei que o meu programa político ajudará centenas de milhões de americanos da classe média de todas as raças", acrescentou.

O comitê de campanha de Obama rejeitou os argumentos de Romney, indicando em um comunicado difundido na manhã desta quarta-feira que "o discurso de Romney à NAACP seria incapaz de esconder o fato de que ele sempre se opôs a medidas que têm ajudado a comunidade negra americana".

Sobre isso, um porta-voz da equipe democrata, Danny Kanner, citou "o plano de estímulo (de 2009), o resgate do setor automotivo e o maior acesso aos cuidados de saúde", e afirmou que o programa econômico de Romney favorece, segundo ele, "os milionários e bilionários" à custa dos negros.

*Com AP e AFP

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