Relatório da OEA sobre Paraguai não é posição do bloco, diz chanceler brasileiro

Ao Senado, Patriota afirmou que países-membros estão deliberando sobre o impeachment de Lugo no Paraguai e frisou a importância econômica da Venezuela no Mercosul

iG São Paulo | - Atualizada às

O ministro de Relações Exteriores brasileiro, Antonio Patriota, disse nesta quarta-feira que o relatório do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o impeachment do ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo não reflete a posição do bloco continental, que ainda discute alguma ação contra o país.

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José Manuel Insulza disse na terça-feira que o impeachment de Lugo "cumpriu os procedimentos constitucionais", mas ressaltou que "a velocidade com que o impeachment foi conduzido foi muito infeliz e criou uma aura de ilegitimidade".

AP
O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, e a presidenta Dilma Rousseff na Cúpula do Mercosul em Mendoza (29/6)

O rápido processo que levou à saída de Lugo gerou forte reação dos países sul-americanos. Mercosul e Unasul alegaram desrespeito à democracia e suspenderam o Paraguai temporariamente dos blocos, mas sem a aplicação de sanções econômicas. A OEA ainda não decidiu se tomará alguma ação contra o Paraguai.

"O secretário-geral Miguel Insulza fez uma visita a Assunção e ele apresentou seu relatório aos países-membros, mas as opiniões dele não constituem uma posição da OEA. É uma posição do secretário-geral", disse Patriota a jornalistas após participar de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado. "Entre os países-membros, ainda estamos em uma fase deliberativa. O Brasil (está) se coordenando com os países da Unasul, cuja coordenação está a cargo do Peru nesse momento", disse o chanceler.

Insulza disse que uma suspensão do Paraguai da OEA "não contribuiria" para a estabilização política do país e alertou que a medida "teria implicações econômicas sérias" para a nação sul-americana, que enfrenta uma "situação de estabilidade política, social e econômica que merece ser preservada".

Também nesta quarta-feira, a secretária de Estado adjunta dos EUA para a América Latina, Roberta Jacobson, disse que o Paraguai não deveria ser suspenso da OEA. "Neste momento, não parece realmente haver motivo para suspender o Paraguai da OEA", declarou Jacobson. "Vejo o Paraguai como uma forma de nos unirmos como região, para apoiar a democracia paraguaia, não como um tema que exacerbe as divisões", enfatizou.

Comissão do Senado

À comissão do Senado ainda, Patriota respondeu às críticas da oposição, que é contra a suspensão do Paraguai e contra o apoio dado a Venezuela pelo Brasil, Uruguai e Argentina.

O ministro reiterou que ambas as decisões foram adotadas em comum acordo pelos três países durante o recente encontro da cúpula, realizado na cidade argentina de Mendonza.

"Essa decisão foi fruto de uma deliberação conjunta dos membros do Mercosul que decidiram o ingresso da República da Venezuela", disse Patriota na sessão. "O Paraguai só poderá voltar a participar (do bloco) quando retomar a plena vigência da ordem democrática".

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O Paraguai era o único país cujo Congresso resistia à adesão do país no bloco regional, composto também por Argentina, Brasil e Uruguai.

Patriota insistiu que o país terá uma importância econômica e política de "interesse estratégico" para o Mercosul. "Com a Venezuela, o Mercosul se estenderá desde a Patagônia até o Caribe", disse o ministro, que destacou o potencial venezuelano na área de energia e o "fortalecimento das redes de comércio e investimentos" previsto com a incorporação do país.

O chanceler afirmou ainda que a entrada da Venezuela traz "diversificação da projeção internacional" do bloco, e destacou aspectos econômicos, como a elevação do Produto Interno Bruto (PIB) da aliança, que saltará de US$ 3 trilhões para US$ 3,3 trilhões, e que o bloco passará a representar 70% da população da América do Sul.

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A entrada da Venezuela no Mercosul será formalizada em reunião extraordinária que será realizada no próximo dia 31, no Rio de Janeiro. Para o encontro, são esperados os presidentes do Uruguai, José Mujica; do Brasil, Dilma Roussef; e da Argentina, Cristina Kirchner.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez , que está em plena campanha para as eleições do país, anunciou nesta semana que também estará presente na reunião. "Devo ir, tenho de ir, claro. É muito importante para nós e para toda América Latina", disse o líder venezuelano.

*Com Reuters e EFE

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